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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 143 FEVEREIRO 2017
Além do “faça acontecer”: para um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março

Foto: Women's March, Washington DC, 21 de janeiro de 2017.

Tradução de Daniela Mussi - Linda Martín Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Nancy Fraser, Keeanga-Yamahtta Taylor, Rasmea Yousef Odeh e Angela Davis participam da convocação de uma greve internacional de mulheres no dia 8 de março. "As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos também um novo movimento feminista pode estar em construção. É importante não perder impulso. Juntemo-nos em 8 de março para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasião deste dia internacional de ação para acertar as contas com o feminismo do “faça acontecer” e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo". As grandes marchas de mulheres de 21 de janeiro [nos Estados Unidos] podem marcar o início de uma nova onda de luta feminista militante. Mas qual será exatamente seu foco? Em nossa opinião, não basta se opor a Trump e suas políticas agressivamente misóginas, homofóbicas, transfóbicas e racistas. Também precisamos alvejar o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas. O feminismo do “faça acontecer”[1] e outras variantes do feminismo empresarial falharam para a esmagadora maioria de nós, que não têm acesso à autopromoção e ao avanço individual e cujas condições de vida só podem ser melhoradas através de políticas que defendam a reprodução social, a justiça reprodutiva segura e garanta direitos trabalhistas. Como vemos, a nova onda de mobilização das mulheres deve abordar todas essas preocupações de forma frontal. Deve ser um feminismo para 99% das pessoas”. Leia a convocatória na íntegra. Fonte: Blog Junho | Viewpoint Magazine.

Em debate: ‘Lugar de fala’ e ‘representação’

Nas redes sociais, tem sido intenso o debate sobre o ‘Lugar de fala’ nos movimentos, segmentos sociais e na política. Reproduzimos aqui reflexões e artigos relevantes sobre o tema. “Tudo isto se traduz no crescente debate sobre o espaço, dos grupos marginalizados – entendidos, em sentido amplo, como todos aqueles que vivenciam uma identidade coletiva que recebe valoração negativa da cultura dominante, sejam definidos por sexo, etnia, cor, orientação sexual, posição nas relações de produção, condição física ou outro critério. O problema da representatividade não se resume, é claro, à honestidade na busca pelo olhar do outro ou ao respeito por suas peculiaridades. Está em questão a diversidade de percepções do mundo, que depende do acesso à voz e não é suprida pela boa vontade daqueles que monopolizam os lugares de fala”. (A auto-representação de grupos marginalizados: tensões e estratégias na narrativa contemporânea, Regina Dalcastagnè, Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 42, n. 4, dezembro 2007) Como lembra Anne Phillips, pensando num contexto diverso: “é concebível que homens possam substituir mulheres quando o que está em questão é a representação de políticas, programas ou ideais com os quais concordam. Mas como um homem pode substituir legitimamente uma mulher quando está em questão a representação das mulheres per se? É concebível que pessoas brancas substituam outras, de origem asiática ou africana, quando está em questão representar determinados programas em prol da igualdade racia?”. Leiam abaixo, os artigos que selecionamos. Valdisio Fernandes, Coordenador de Comunicação do Instituto Búzios.

O que é ‘lugar de fala’ e como ele é aplicado no debate público

Por Matheus Moreira e Tatiana Dias - Filósofos, militantes e pesquisadores explicam o conceito, o situam no tempo e analisam sua influência pela internet e em movimentos sociais. “lugar de fala” é um termo que aparece com frequência em conversas entre militantes de movimentos feministas, negros ou LGBT e em debates na internet. A origem do termo do “lugar de fala” não é precisa. Em geral, pesquisadores apontam que suas raízes estão no debate feminista americano, por volta dos anos 1980. O filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP Pablo Ortellado aponta que o que se tornaria o “lugar de fala” aparece pela primeira vez no artigo “O problema de falar pelos outros”, da filósofa panamenha Linda Alcoff, e no ensaio “O subalterno pode falar?”, da professora indiana Gayatri Spivak. Rosane Borges, ativista de relações de gênero e pós-doutora em ciência da comunicação, assevera que o “lugar de fala” é um conceito que precisa ser tratado com cuidado, pois ele vem de um campo teórico que analisa o discurso a partir de teorias da enunciação. A pesquisadora afirma que lugar de fala “é a posição de onde olho para o mundo para então intervir nele. A confusão acerca do lugar de fala acontece porque o conceito tem sido correlacionado com representação. Eu, uma mulher negra que sou hétero, não posso representar uma mulher negra e trans, mas o meu lugar de fala, a forma como vejo o mundo, em um lugar ético, posso falar sobre a questão da lgbtfobia. São duas coisas diferentes. As discussões estão muito inflamadas porque, normalmente, confundimos o que é representação e o que é lugar de fala, ou seja, uma pessoa branca jamais pode representar uma pessoa negra, mas repito, do lugar de fala pelo qual ela vê o mundo, espera-se que ela assuma a questão ética relacionada a discriminação e ao racismo”. Para entender melhor o conceito e as suas implicações no debate contemporâneo, o Nexo conversou com quatro especialistas: Pablo Ortellado, filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP; Renan Quinalha, advogado ativista de direitos humanos, doutorando de Relações Internacionais e colunista da revista Cult; Joice Berth, colunista do site Justificando, arquiteta e assessora do vereador Eduardo Suplicy (PT-SP); Rosane Borges, ativista de relações de gênero, pós-doutora em ciência da comunicação e professora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP. Leia a matéria completa. Fonte: Geledés | Nexo.

“Lugares de fala” e a urgência da escuta

Por Renan Quinalha - O que era mero apêndice a lutas “maiores” e “mais transformadoras” torna-se protagonista da luta contra a própria opressão. Não há dúvida de que essa fronteira cruzada não permite mais volta: a libertação dos grupos que estão assujeitados por opressões estruturais não dependerá de favores, de gentilezas e de concessões. A (auto)organização, a voz e as lutas desses grupos serão, cada vez mais, de titularidade dos próprios sujeitos afetados pela violência dos preconceitos e discriminação. É neste contexto que o questionamento e a problematização trazida pela reivindicação dos “lugares de fala” emerge. É inegável a importância desse descentramento do pensar e do fazer a política para além do assento privilegiado e supostamente universal do homem branco, heterossexual, cis e endinheirado na história. Os verbos da ação política, assim, não podem mais ser conjugados em terceira pessoa, mas em primeira. Ninguém melhor do que o grupo que é portador da experiência do sofrimento e do preconceito para capitanear sua própria emancipação. No entanto, determinados usos (e abusos) desse conceito de “lugar de fala” têm levado a uma lógica problemática de privatização das pautas em uma armadilha identitária nos movimentos de direitos humanos. A superafirmação desses lugares como únicas e exclusivas fontes de legitimidade para discutir problemas que tocam a todxs acabam alienando ainda mais esses grupos e desresponsabilizando aquelxs que deveriam se implicar (não por generosidade, mas por dever) nas lutas por igualdade e respeito. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Cult.

Opinião: As armadilhas do “lugar de fala” na política contemporânea

Por Adriano Senkevics - Reconhecer seu “lugar de fala” tornou-se um dogma do ativismo político em contextos pós-modernos. Diz-se que cada um deve saber qual lugar ocupa na teia social e deduzir, a partir disso, quando ficar calado, quando consentir e quando reivindicar. Fruto de uma ênfase sobre as vivências individuais a partir da experiência com determinadas categorias sociais – entre as quais se destacam gênero, cor/raça e sexualidade – o “lugar de fala” tem sido tomado como uma estratégia política de peso nas sociedades contemporâneas. Neste texto, discorro sobre as armadilhas do “lugar de fala” para a politização do debate em torno da superação das desigualdades. Via de regra, o “lugar de fala” é quase sempre tomado como inscrito no corpo. Nesse sentido, o autor que vos fala é homem, branco, de classe média, para o que bastaria como etiqueta de um lugar de fala privilegiado, justificativa para ser reacionário. No entanto, também sou filho de pai que, no passado, foi bastante crítico ao regime militar e, junto com uma mãe que lecionava na rede pública, forneceu-me uma educação bastante crítica aos abusos de autoridade, ao individualismo consumista e às distinções sociais. Este também é meu “lugar de fala”, aspecto definitivo para moldar minha perspectiva de mundo, embora menos perceptível, menos inteligível e não inscrito no corpo. Experiências como essa não contam para a fórmula do “lugar de fala” atribuído por outrem. (...)Nunca é demais reiterar: falar sobre algo ou alguém não significa falar em nome de algo ou alguém. Das experiências individuais, próprias de cada um, devemos saltar para a reflexão coletiva – esta é a base do campo político. Leia o artigo na íntegra. Terezinha Gonçalves | Fonte: Ensaios de Gênero.

Já é 2017, por onde anda a democracia racial?

País miscigenado, todo mundo misturado, terra de todos os povos. O brasileiro costuma ver o Brasil de forma lúdica. Terra descoberta por Pedro Álvares Cabral, ao invés de nação criada por um processo de colonização. Pátria Mãe gentil dos filhos deste solo, em oposição à economia de importação de escravos ou à política de imigração de refugiados para mão-de-obra barata após a abolição da escravatura. Essa visão histórica romantizada criou o ambiente para o mito de uma democracia racial no Brasil. É uma tese atacada há alguns anos, mas ainda soberana. Seu alcance no senso-comum ajuda a invalidar concepções de um racismo inerente à sociedade, espalhado de forma sistêmica. A consequência é que qualquer demonstração de racismo se torna individualizada, tratada como exceção e responsabilidade pura de quem a cometeu. Favorece um apontamento por rótulos (“seu racista!”) frente a uma análise de comportamentos de grupos ou de legislações e políticas públicas. A crescente capacidade de comunicação pelas redes sociais impulsiona o alcance dos questionamentos sobre esse fenômeno. A definição de racismo mais comum ainda é a da ação individual, mas já demos argumentos sobre o entendimento do racismo como sistema. Leia o artigo na íntegra. Yann Rodrigues | Fonte: Alem do Roteiro.

Enegrecendo as redes: o ativismo de mulheres negras no espaço virtual

Por Renata Barreto Malta e Laila Thaíse Batista de Oliveira - O presente artigo aborda os contornos que o feminismo negro brasileiro tem adquirido com a sua inserção nas redes sociais e o alcance e a multiplicação de informação através do compartilhamento de seus textos políticos. Tem como um dos seus focos a visibilização de histórias de mulheres negras antes invisíveis não só na internet, mas também nos meios de comunicação hegemônicos. Para embasar a reflexão aqui feita serão utilizados aportes de feministas negras como Sueli Carneiro, bell hooks, Luiza Bairros e Angela Davis. A partir da observação desprovida de métricas científicas, notamos como milhares de mulheres negras, principalmente jovens, têm utilizado as plataformas digitais para narrar histórias sobre a presença do racismo e do machismo em suas vidas: são blogs, sites, twitter, canais de youtube e páginas de facebook que têm ganhado um alcance imensurável e formado uma rede de informações e compartilhamentos sobre tais histórias. O racismo e o machismo foram responsáveis por manter as relações de poder da forma como estão estabelecidas em nossa sociedade, condicionando a maior parte da população negra à pobreza e ao não acesso à educação formal. Assim, foram negados a esse grupo social ingresso nos espaços de poder e de produção de conhecimento. Em função desse processo complexo, que contribuiu para a sua exclusão social, para a negação de seus direitos e para a modelação das suas precárias condições de produção, o exercício de contar a sua história tem sido um desafio para a população negra, especialmente para as mulheres da diáspora africana. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Gênero, v.16, n.2, p. 7- 32, UFF, Niterói, 2016.

Internet: chegou a hora das redes comunitárias?

Por Rafael Zanatta - Ao invés do Uber e do AirBnB, plataformas autogeridas. Para preservar privacidade, um provedor compartilhado. Quem sabe no futuro, uma opção ao Facebook. Veja como tudo isso está sendo feito no Brasil. Em 2016, mesmo com os ininterruptos choques políticos em nível nacional e internacional, explorei algumas possibilidades progressistas para nossa sociedade digitalizada. A partir de experiências capitaneadas pela Peer-to-Peer Foundation (Holanda), a OuiShare (França) e o Platform Cooperativism (EUA), discuti a possibilidade de “subversão do capitalismo de dados” por meio de plataformas geridas democraticamente pelos seus próprios usuários. sse debate inicial trouxe resultados positivos em 2016. Aos poucos, ganhou força no Brasil o debate sobre “cooperativismo de plataforma”. Ao lado do projeto de “cooperativismo de plataforma” – a possibilidade de empreendimentos cooperativos de tecnologia possibilita participação democrática nas decisões e distribuição justa do valor gerado por intermediações e serviços –, outra agenda promissora é o das “redes comunitárias”. Trata-se da possibilidade de gestão coletiva, feita por uma comunidade, de infraestrutura de conexão à Internet. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

O feminicídio e a luta contra o machismo na agenda política

Por Nalu Faria - A luta contra a violência machista ganha a cada dia uma dimensão mais ampla. No Brasil, há mais de 40 anos ecoam as vozes das mulheres dizendo “quem ama, não mata, não humilha e não maltrata”. A força da luta e da mobilização faz com que cada vez mais mulheres denunciem e se organizem em prol de uma vida sem violência. No Brasil, iniciamos 2017 em luta por nenhuma a menos, em resposta ao feminicídio em forma de Chacina em Campinas, que nitidamente foi uma reação patriarcal ao feminismo e a autonomia das mulheres. O movimento feminista compreende a violência machista como algo estrutural e questioná-la é também questionar o modelo capitalista, patriarcal, racista, homo-lesbofóbico e colonialista. Portanto, há um posicionamento antissistêmico, que supera a análise centrada na punição, muitas vezes enfatizada em discursos e propostas institucionais. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Carta Capital.

Ellen Sprenger: Repensando o financiamento para os direitos das mulheres

Face ao acesso cada vez mais difícil aos financiamentos, como sua organização pode se adaptar e construir maior resiliência e solidez financeira. Baseando-se em sua experiência de trabalho com grandes organizações da sociedade civil (OSC), bem como na sua atual função de consultora internacional para o setor para auxiliar OSC a se tornarem financeiramente resilientes, Ellen Sprenger discute as principais tendências que afetam as organizações de direitos das mulheres no Sul global. Ao fazê-lo, ela descreve como essas organizações podem captar recursos de fontes diversas de maneira mais eficaz, como responder à incerteza financeira e como essas organizações podem impactar mais diretamente as estratégias de financiadores. No geral, as organizações de defesa dos direitos das mulheres estão operando em um ambiente de financiamento em que doações externas são cada vez mais difíceis de se obter. Essa alta dependência de um grupo relativamente pequeno de fontes representa um risco significativo. Em resposta, as organizações estão começando a diversificar a renda e a geração de receita em outras fontes além das doações. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: SUR – Revista Internacional de Direitos Humanos.

Reação patriarcal contra a vida das mulheres: debates feministas sobre conservadorismo, corpo e trabalho

Essa publicação está organizada em três partes e reúne questões e reflexões que compõem uma visão coletiva elaborada nos processos de luta da Marcha Mundial das Mulheres e em espaços de reflexão organizados pela SOF - Sempreviva Organização Feminista. Na primeira parte, recuperamos debates feministas sobre o corpo e a sexualidade das mulheres, os processos sociais de construção da feminilidade, do controle sobre o corpo e da mercantilização. Na segunda parte, demos seguimento ao debate sobre a mercantilização, buscando desvelar os velhos e novos processos de acumulação capitalista. Por fim, reunimos reflexões feministas sobre a família e as políticas de ajuste, na intenção de oferecer mais instrumentos para nossa luta contra os retrocessos em curso no Brasil. Os debates reunidos nestas páginas são uma contribuição ao desafio que temos hoje, como organizações e movimentos sociais, de ampliar nossa capacidade de construir força coletiva e articulada para barrar os retrocessos nas relações, nas políticas e na economia. Acesse a publicação e faça download. Terezinha Gonçalves | Fonte: SOF.

Organizações alemãs lançam Atlas das Multinacionais 2017, que documenta a concentração do agronegócio

Cinco organizações de cooperação internacional, que fazem campanhas na Alemanha e na União Europeia para outras políticas agrárias, estão apresentando durante essa semana o Atlas das Multinacionais. O Atlas mostra, que cada vez menos multinacionais dominam o mercado da produção de alimentos e sua distribuição. Isso é uma ameaça para a soberania e segurança alimentar, porque estão destruindo os sistemas alimentares territoriais, expulsando as famílias agrárias do campo e acabando com a agricultura familiar e os mercados locais. O atlas das multinacionais é um conjunto de dados e gráficos sobre a indústria agrária, editado pela Fundação Heinrich Böll, a Fundação Rosa Luxemburg, o BUND, Oxfam Alemanha, Germanwatch e Le Monde Diplomatique. Agora somente quatro corporações controlam cerca de 70% do comércio mundial com commodities agrícolas. Três multinacionais dominam 50% do mercado mundial para tecnologias agrárias. Caso que as megafusões planejadas se realizem, somente três empresas dominariam mais de 60% do mercado global para sementes e pesticidas. Leia a matéria completa. Fonte: Fazendo Média.

Livro “Imprensa e escravidão: política e tráfico negreiro no Império do Brasil” | Como a mídia brasileira sustentou a escravidão

Em 7 de novembro de 1831, no primeiro ano do período regencial, a Assembleia Geral decretou e a Regência sancionou uma lei proibindo o tráfico de escravos africanos para o Brasil. A lei, bastante explícita em seu texto, declarava livres todos os escravos vindos de fora do Império e impunha penas bastante duras àqueles que os haviam importado. A interpretação corrente na historiografia é a de que essa lei, precedida por um tratado com a Inglaterra que impunha prazo final para o tráfico, foi feita “para inglês ver”, isto é, para acalmar a pressão externa e deixar internamente tudo na mesma. Tal ponto de vista foi contestado pelo livro Imprensa e escravidão: política e tráfico negreiro no Império do Brasil (Rio de Janeiro, 1822-1850), de Alain El Youssef, publicado com o apoio da FAPESP. “Antes de a lei entrar em vigor, houve uma grande intensificação da importação de escravos, porque os senhores sabiam que a determinação da Regência em abolir o tráfico era real. E, quando a lei foi aplicada, o tráfico realmente entrou em curva descendente e quase terminou. Ele foi sendo retomado aos poucos, a partir de 1834 e 1835. O que eu procurei mostrar foi que a imprensa teve um papel fundamental nessa retomada. E não só na retomada, como também na manutenção desse tráfico ilegal por cerca de 15 anos, até 1850. Ao mesmo tempo em que defendiam o tráfico no parlamento, os conservadores utilizavam os jornais para justificar o contrabando de escravos e combater aqueles que o criticavam”, afirmou Youssef à Agência FAPESP. Leia a matéria completa. Fonte: Agência Fapesp.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lidianny Fonteles, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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