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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XIV - Nº 168 março 2019
Movimento Negro: Carta de Vitória
[Foto: Haroldo Abranches – Estátua de bronze com 2,20 metros, de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé, Pelourinho, Salvador-BA]

Na perspectiva do povo negro se pronunciar politicamente no cenário nacional diante da Conjuntura Internacional e Nacional algumas entidades e lideranças negras atenderam ao convite do Centro de Estudos da Cultura Negra no Estado do Espirito Santo – CECUN para a realização de uma reunião em Vitória-ES com o objetivo de fortalecer a Campanha Nacional Para Implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, visando discutir e construir estratégias de combate ao racismo estrutural, elencar demandas negras estruturantes e também, a criação de ferramentas, entre essas, uma Unidade Negra Interestadual para ampliar a luta pela Equidade Racial e Combate ao Racismo. No encontro foi aprovada a “Carta de Vitória”, com diretrizes políticas para o movimento negro nesta conjuntura. O documento foi publicado e divulgado nas redes sociais e para a sociedade civil a partir do dia 10 de março de 2019. “A realidade social mundial e brasileira, requer de nós, Movimento Negro (MN) social civil organizado, organizações negras e ativistas antirracistas, análise e ação acurada. Para isso é preciso não perder de vistas o conteúdo histórico. A história como um dado, pode nos fornecer elementos que nos permite avaliar o trajeto percorrido, os acertos e os erros; os avanços e os retrocessos; as causas e os efeitos. É preciso nos apresentarmos na cena histórica como sujeito coletivo; compreender e, reacender as raízes filosóficas sobre as quais erigiu o mundo negro, ao menos na resistência. Diante de retrocessos humanísticos reais e visíveis nos posicionamos para avançar organizados contra o racismo e contra as suas várias materializações na realidade concreta”. Leia a Carta de Vitória na íntegra. Fonte: Unidade Negra.

Por Raquel Barreto - “De cútis preta, usa, frequentemente, peruca black, cor de cobre, e os óculos com lentes escuras”. Essa referência encontra-se em um documento, de 1979, do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio de Janeiro e descrevia Lélia de Almeida González (1935-1994), antropóloga, historiadora, geógrafa, filósofa, tradutora, professora, pesquisadora, intelectual e destacada militante dos movimentos negro e feminista nas décadas de 1970 e 80. Curiosamente, Lélia não usava peruca, mas seu cabelo natural, na época chamado de black power, uma das inscrições mais contundentes de politização do corpo negro, foi aludido como uma. No informe, confidencial, constavam também seus dados pessoais como endereço, filiação, informações laborais e a afirmação: “Possui boa projeção na classe dos intelectuais do Rio de Janeiro”. Mas a razão pela qual Lélia se destacou, ao menos nos círculos intelectuais negros, tem a ver com sua produção teórica – singular e inovadora – que contestou pressupostos canônicos do Pensamento Social Brasileiro sobre a interpretação da nossa formação cultural e das relações raciais. Ela e outros intelectuais negros da mesma geração estavam comprometidos na formulação de um projeto epistêmico em que o negro brasileiro fosse o sujeito do conhecimento, referenciado em sua própria singularidade, história e cultura. A temática das mulheres negras, o racismo, a cultura brasileira, a formação nacional atravessaram toda a produção de Lélia. Conjectura-se que as mudanças de abordagens na produção da autora foram influenciadas pelo debate político e intelectual nacional e internacional. Há que se destacar seu permanente contato com intelectuais e ativistas negros de várias partes do mundo, através de viagens que alimentaram suas reflexões e teorias. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Suplemento Pernambuco.

Para além do 8 de março: rumo a uma Internacional Feminista

Lideranças feministas como as estadunidenses Angela Davis e Nancy Fraser, assim como as brasileiras Amelinha Telles e Sonia Guajajara, lançaram no dia 06 de março um manifesto “Para além do 8 de Março: rumo a uma Internacional Feminista”. O texto é assinado por vinte e quatro mulheres do Brasil, Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Chile, Argentina e México. As “mulheres por uma articulação internacional feminista” afirmam o caráter anticolonial, antirracista e anticapitalista do novo movimento feminista transnacional: “moldado pelo sul, não só no sentido geográfico, mas também no sentido político, e é nutrido por cada região em conflito”. Para as feministas, “a nova onda feminista é a linha de frente na defesa contra o fortalecimento da extrema-direita no mundo. Hoje, as mulheres estão liderando a resistência a governos reacionários em inúmeros países”. Leia o manifesto na íntegra. Fonte: Catarinas.

Brasil: no último ano, 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência

Vitimação chega a 27,4% e faz das jovens negras as principais vítimas do machismo da sociedade, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Cerca de 16 milhões de mulheres, acima de 16 anos, foram vítimas de algum tipo de violência nos últimos doze meses. Uma vitimização que chega à taxa de 27,4%, de acordo com dados da pesquisa “Visível e Invisível: A vitimização de mulheres no Brasil” divulgada na terça-feira (26) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O universo da pesquisa é a população adulta brasileira de todas as classes sociais com 16 anos ou mais. A abrangência é nacional, incluindo Regiões Metropolitanas e Cidades do Interior de diferentes portes, em todas as Regiões do Brasil. As entrevistas foram realizadas em 130 municípios de pequeno, médio e grande porte, no período de 4 a 5 de fevereiro de 2019. A amostra total nacional foi de 2.084 entrevistas. A amostra total de mulheres foi de 1.092 entrevistas. O relatório também inclui cinco artigos que analisam os principais destaques da pesquisa: “Violência contra a mulher: um desafio para o Brasil”, Valéria Scarance; “Pode a lei penal impedir que mulheres sejam sexualmente assediadas?”, Maíra Zapater; “Os desafios impostos pelos diferentes tipos de violência contra a mulher”, por Eugênia Nogueira do Rêgo Monteiro Villa; “As interseccionalidades necessárias à questão do enfrentamento da violência contra mulher”, por Denice Santiago. Acesse o Relatório na Integra. Fonte: Agência Patricia Galvão.

Dia Internacional da Mulher: 6 indicadores que mostram como as mulheres avançaram (ou não) na América Latina

Pode-se dizer que as mulheres na América Latina têm o que comemorar. A região é considerada uma das que mais avançaram na igualdade de gênero no mundo. Seu índice atual de paridade de gênero cresceu mais do que a média mundial, segundo o Fórum Econômico Mundial, e está em cerca de 0,8 (em que zero significa desigualdade total e 1 significa paridade entre homens e mulheres). Mesmo assim, a igualdade só seria alcançada na região em 74 anos, mantendo este ritmo de avanços. O Índice Global de Desigualdade de Gênero, criado pelo Fórum em 2006, atualmente mede a disparidade entre homens e mulheres em 149 países, em um cálculo que considera participação econômica e oportunidades no mercado de trabalho, acesso à educação, saúde e participação política. Confira alguns indicadores que mostram onde as mulheres da região avançaram e onde ainda ficam para trás. Leia a matéria completa. Fonte: BBC Brasil.

A ‘mediocracia brasileira’ e o Brasil que não hesita em resistir

Por Augusto Jobim - A experiência política que se inicia no Brasil seria fascinante se vivêssemos noutro planeta e não estivéssemos com a maior floresta do mundo em perigo e se a política naturalizada de extermínio agora não tivesse virado plano deliberado de governo. Os exemplos se empilham a exaustão. Entretanto, insistimos eticamente de estar à altura do que acontece. Poderíamos começar apontando, pelo menos, a direção de duas questões fundamentais para tentar refletir sobre o Brasil atual: 1º) como a vitória de Bolsonaro foi possível e o que significa sua chegada ao poder – como viemos parar aqui? 2º) quais são as possíveis linhas de fuga (quais alternativas e resistências) a serem criadas? As possibilidades de enfrentamento destas e de muitas outras questões são infinitas e as respostas sondáveis, pela profusão dos fatos, poderão ser desmentidas no momento seguinte. Porém, cabe arriscar ler o que se passa, exatamente valorizando a crítica radical da vida cotidiana, ou seja, pensar a transformação social como um exercício de atenção pleno das potências que ressoam nas situações que atravessamos. Com a energia da rebeldia social liberada ao menos depois de 2013 no Brasil. Perceber os caminhos alternativos para a atual catástrofe brasileira deverá passar pela atenção à força das demandas anti-institucionais. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Cult.

Os movimentos que disputam com a nova direita

Por Raúl Zibechi, jornalista e analista político uruguaio, em artigo publicado por La Jornada, 01-03-2019. A tradução é do Cepat. A energia social emancipadora não desaparece, nem se esfumaça. Transmuta-se, transforma-se e torna-se algo diferente, capaz de promover novos movimentos, sem perder suas características básicas, ainda que seja apresentada de maneiras novas e inéditas. Algo como isso está acontecendo em países onde as pessoas precisam lutar, dia a dia, com algumas direitas de um novo tipo, tão demagógicas como autoritárias. Gostaria de apresentar brevemente três casos que acontecem atualmente no Brasil e na Argentina, em resistência frontal a seus respectivos, que ensinam que sim é possível, que apesar da correlação desfavorável de forças, podemos tomar iniciativas e avançar. Leia aqui o artigo. Fonte: IHU.

O Juvenicídio brasileiro e as prisões preventivas por tráfico de drogas

Por Andréa Pires Rocha - Os discursos ideologizados em torno da violência apontam, via de regra, para suas expressões urbanas, protagonizadas especialmente por jovens envolvidos com crimes contra a propriedade privada e com o tráfico de drogas. Discursos esses que subsidiaram a eleição que levou a vitória ultra reacionária no Brasil. No entanto, o início do ano de 2019 confirma que a violência é um fenômeno muito mais complexo do que afirma o conservadorismo, à medida em que se situa nas esferas estruturais e superestruturais da sociabilidade burguesa. A violência está no juvenicídio que, segundo Valenezuela se inicia com a precarização da vida dos jovens, a ampliação de sua vulnerabilidade econômica e social, o aumento de sua condição de cidadania violada e a diminuição de opções disponíveis para que possam desenvolver projetos viáveis de vida. O racismo sempre compôs as relações sociais brasileiras a medida em que o histórico das legislações penais evidencia como se deu o processo de transição da coisificação dos negros para a criminalização e a segregação em prisões[4]. O fato de jovens negros e pobres lotarem as prisões brasileiras é realidade desde o final do século XIX, no entanto esse fenômeno ganha novas parceiros criminalizatórios, em especial a ideologia proibicionista e política de drogas guiada pela guerra. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Justificando.

Para ir muito além da crítica ao “identitarismo”

Por Rosane Borges: prefácio da edição brasileira de “Olhares Negros — raça e representação”, de bell hooks - Uma intervenção radical sobre as formas tradicionais de observar negritude e branquitude procura subverter o olhar branco hegemônio e suas objetificações. O século XX é visto como o século tanto do átomo e do cosmos quanto da linguagem, momento em que as promessas do projeto de modernidade, tão em voga no XIX, passaram por duras reavaliações. A barbárie, vista na versão edulcorada do XIX como algo soterrado em camadas distantes da nossa história, volta assustadoramente com as duas grandes guerras mundiais, reacendendo os faróis do desamparo e do horror. Os filósofos da decepção diriam que o céu de brigadeiro pintado pelo Iluminismo fora uma ilusão. Mais do que uma ideia linear de progresso, o século XX, pelo triunfo do capitalismo e da tecnociência, nos ensinou que o projeto de modernidade carrega em seu germe a ideia de perpétua crise, que se fez sentir por todos os terrivelmente outros, não contemplados por uma concepção de humano e humanismo: negros e indígenas, asiáticos e africanos. Não podemos desconsiderar o reacender de uma discussão bizantina, que se perde sob os lençóis do tempo: as supostas altercações entre universalistas e particularistas — ou identitaristas, para alguns. Leia o prefácio na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

O estudo das literaturas africanas no Brasil: perspectivas contemporâneas, novos desafios

Por Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco - Este artigo reflete acerca do estudo das Literaturas Africanas no Brasil desde os anos 1990. Baseia-se em ensaios de Achille Mbembe e Antonio Candido, este último defensor do papel humanizador da literatura. Enfatiza a importância da recorrência a teóricos africanos, evitando leituras eurocêntricas. Apresenta algumas das tendências atuais dos estudos africanos: o pós-colonialismo, as questões identitárias, o diálogo entre Literatura e História, as abordagens comparatistas e interdisciplinares, a correspondência entre as artes: literatura e pintura, literatura e escultura, literatura e música, literatura e dança, literatura e cinema. Conclui, ressaltando a importância crítica da Literatura, da História e das Artes, que, ao recriarem tradições locais em confronto com o presente, se oferecem como formas de resistência à perda dos laços ancestrais. Leia o artigo na íntegra. Fonte: AbeAfrica.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Aline Alsan, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Keu Souza, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Jonaire Mendonça e Erica Larusa.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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