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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XVI - Nº 182 MAIO 2020
Camaradas: não nascem, se tornam

Por Jane Cutter | Tradução: Guilherme Laranjeira - As pesquisas recentemente popularizadas sobre “mindset” [modelo mental ou mentalidade] e aprendizado podem contribuir e ajudar militantes não apenas com seus próprios desenvolvimentos, mas no desenvolvimento do potencial de outros com quem eles têm contato. Antes de investigar o que é “mindset” e como seu entendimento pode ser interessante para os militantes, seria útil revisar um entendimento marxista da “inteligência” em contraste com as concepções burguesas e racistas. A maioria das pessoas provavelmente concordaria que “ser inteligente” é um atributo desejável. A natureza da “inteligência” ou das “inteligências” está além do escopo deste artigo, mas o discurso acerca da inteligência parece se dividir em duas amplas narrativas: inteligência como uma característica inata dos indivíduos vs inteligência como comportamentos e hábitos da mente construídos e definidos socialmente. Alguém nasce com uma quantidade definida de inteligência ou pode a inteligência crescer e mudar ao longo da vida? A noção de que as pessoas nascem com um nível fixo de inteligência foi captada pelos elementos mais racistas da sociedade, que usaram uma espúria “ciência” para defender a suposta superioridade dos brancos. Se a inteligência não é um simples atributo fixo dos indivíduos, como ela é (ou outras formas de competência) socialmente construída e determinada? E qual é o papel do indivíduo em promover o crescimento da própria prática de competência? Leia o artigo na íntegra. Fonte: Traduagindo.

As condições objetivas para o enfrentamento a COVID-19: abismo social brasileiro, o racismo, e as perspectivas de desenvolvimento social como determinantes

Por Tricia Calmon - O Brasil construiu ao longo da sua história um abismo social amparado na herança da escravidão racial, que tem relegado milhões de pessoas a viverem, atualmente, em extrema situação de pobreza. A necessidade de enfrentamento a Covid-19 expôs ainda mais a realidade do país, na medida em que grande parcela da sua população, que vive em situação de rua e em territórios bastante empobrecidos, tem encontrado dificuldade em realizar as orientações mínimas para prevenção à proliferação do coronavírus, como o isolamento social e higienização adequada. Nesse artigo discutimos as bases dessas dificuldades e a necessidade de alcançarmos um outro patamar de desenvolvimento social que supere a tragédia social produzida pela desigualdade sociorracial e econômica. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista NAU Social, v.11, n.20, p. 131 – 136, Maio / Out 2020.

Mesmo travados em uma pandemia, os trabalhadores podem reagir

Por Nick French | Tradução: Marco Tulio Vieira - Durante a Grande Depressão em 1929, comunistas e ativistas radicais tiveram um papel chave mobilizando os trabalhadores que levaram as políticas trabalhistas do New Deal. Podemos fazer o mesmo hoje para lutar contra a miséria econômica e condições insalubres de trabalho durante a pandemia do coronavírus. O desemprego nos Estados Unidos cresceu enormemente no último mês e o FED, (Banco Central dos EUA) previu que a taxa de desemprego pode chegar a 32%, superando o auge da Grande Depressão. Sem uma intensa pressão vinda de baixo que faça o governo mudar rapidamente sua política, a recessão induzida pelo coronavírus vai resultar em miséria para a grande maioria dos estadunidenses. Ainda bem que a esquerda estadunidense pode olhar para um momento anterior de crise, no qual movimentos massivos conquistaram amplos ganhos materiais para a classe trabalhadora em tempos de miséria crescente. A última Grande Depressão, em 1929, oferece inspiração para os organizadores no movimento sindical e para os socialistas que estão buscando formas de se organizar durante o desdobramento da crise. Aquele momento, mesmo tão diferente do nosso, mostra a importância de se organizar de forma radical e de construir redes de solidariedade através de toda a classe trabalhadora. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jacobin Brasil.

Cuidar: trabalho invisível, agora escancarado

Atividades domésticas como nutrir, educar e criar são essenciais à economia real, mas ignoradas. Historicamente realizadas por precarizadas ou mulheres da casa, correspondem a 11% do PIB brasileiro — caso fossem contabilizadas e pagas. Em entrevista por FaceTime o economista brasileiro Paulo dos Santos, professor da New School for Social Research, em Nova York, me falou sobre como a crise do coronavírus pode ressignificar o valor do trabalho, e mudar o foco do debate econômico. “Essa não é apenas uma crise epidemiológica e econômica, é uma crise social. É também uma oportunidade aberta para focar na sociedade. É vingar o social. A pandemia é um choque global, que a certo ponto nos faz reconhecer que todos estamos conectados. Nos quatro cantos do mundo, a crise está revelando dois tipos de trabalho essenciais. Um é visível, os serviços que todos notam o quanto precisam agora: luz, internet, gás. Outro ainda é invisível, o trabalho de cuidado”, afirma o economista. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

Fome já bate à porta da sociedade dos EUA, onde número de desempregos quebra recordes

Em apenas cinco semanas mais de 26 milhões de trabalhadores do setor formal solicitaram benefícios de desemprego, um nível sem precedentes. Seis de cada dez latinos disseram que eles ou alguém de sua casa perderam o emprego. A crise econômica afetou quase todos os setores econômicos do país. Economistas calculam que a taxa de desemprego está agora entre 15 e 20% – no pior momento da Grande Depressão atingiu 25%. Diante da crescente crise, o Congresso aprovou outro pacote de resgate econômico de 484 bilhões de dólares para agregar ao fundo de empréstimos para pequenos negócios criado pelo pacote anterior que se esgotou quase de imediato, e assistência para hospitais e exames diagnósticos. Com isso, o governo terá aprovado quase 3 trilhões de dólares desde fins de março para enfrentar a crise econômica e todos sabem que vai ser preciso mais no futuro imediato. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Diálogos do Sul.

Do epistemicídio a epistemologias do aparecimento: mulheres negras no sistema de justiça e nas ciências criminais

Por Allyne Andrade e Silva - O artigo critica o tratamento dado as mulheres negras, utilizando como exemplo o duplo lugar ocupado pelas mulheres negras no sistema de justiça e nas Ciências Criminais: visíveis como alvos preferenciais do encarceramento feminino e invisíveis como vítimas da violência contra a mulher e feminicida. O objetivo é realizar uma crítica acerca das produções que, embora críticas ao sistema penal e cientes da sua seletividade, apenas utilizam essas mulheres como números para retratar os problemas do sistema de justiça. Tais análises, de maneira geral, são incapazes de observar as mulheres negras enquanto intérpretes desse mesmo sistema e da sua própria realidade, de trazer raça como elemento central das causas dessas violências. Por fim, proponho que interseccionalidade seja utilizada como uma epistemologia do aparecimento das mulheres negras e como uma perspectiva crítica antirracista, que confere às estas a primazia epistêmica de interpretação de suas próprias realidades. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM.

Opinião | Serge Katz: Pan-africanismo e democracia ainda são possíveis em África?

Alguns questionamentos que serão a base desta reflexão: por que o pan-africanismo fracassou no continente africano? Ele ainda é possível como projeto político? A partir de quais bases é possível repensar esse pan-africanismo? Qual é o papel da internet nessa nova trajetória do conceito? O pan-africanismo é compatível com a democracia? É possível reconciliar a tradição africana, sobretudo, os modelos de cidadanias pré-coloniais com as ambições do pan-africanismo? E como pensar o pan-africanismo em relação ao nacionalismo no continente africano? Hora de retomar um debate que costuma sumir e reaparecer no espaço público sem que saibamos realmente o porquê. Fato é que o interesse em torno ao pan-africanismo nunca se esgota por completo. Nos últimos quatro anos tenho refletido sobre as possibilidades de renovação e redescoberta desse projeto tanto cultural quanto político. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Sacerdotes da palavra e do canto

Por Eduardo Bonzatto - O século XX conheceu dois sacerdotes curadores da manutenção dos rituais dessa cultura, no seu sentido bem amplo. Um deles foi Agigail Moura (1904 – 1970), fundador da Orquestra Afro Brasileira; o outro, Mateus Aleluia (1942), dos Tincoãs e que ainda vive a sofisticação de sua juventude vigorosa, conduzindo o cetro que é a tarefa maior dos sacerdotes da palavra e do canto. Curiosamente, o nascimento da Orquestra Afro Brasileira e de Mateus Aleluia são praticamente coincidentes. Não há coincidência nenhuma. A africanidade barroca de Aleluia e a sonoridade originária do opanijé e do alujá convocada por Abigail Moura convergem com uma proximidade mágica. Essas vozes percussivas que transitam da África ao Brasil e retornam numa velocidade tão típica da natureza, de seus tempos e movimentos, construindo uma linhagem que tocou Donga, Pixinguinha, Moacyr Santos, dentre tantos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: LavraPalavra.

Daniela Ferrugem: Guerra às drogas e a manutenção da hierarquia racial

Por Maria Ferreira - O artigo pretende abordar a guerra às drogas, debatendo os sustentáculos racistas desta guerra e a manutenção da hierarquia racial que ela provoca. Para isso, se deterá em duas dimensões da política proibicionista e belicista brasileira de combate às drogas, o genocídio e o encarceramento da população negra. A pesquisa de mestrado em Serviço Social de Daniela Ferrugem, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), resultou em livro publicado pela Editorial Letramento em 2019. A obra aborda a guerra às drogas, debatendo os sustentáculos racistas desta guerra e a manutenção da hierarquia racial que ela provoca. Para isso, se deterá em duas dimensões da política proibicionista e belicista brasileira de combate às drogas, o genocídio e o encarceramento da população negra. Para começar, Daniela Ferrugem faz uma pergunta instigante: “Quando decretamos guerra e as combatemos, são às substâncias que decretamos guerra?” (p.22). Essa pergunta será respondida ao longo da pesquisa e uma das respostas a que se chega é que não é uma guerra às drogas de fato, é uma guerra aos negros e pobres, porque há uma criminalização de quem faz uso e não da substâncias químicas em si, uma vez que se a pessoa for branca de classe média será taxada de usuária, enquanto se for negra e pobre, será vista como traficante. Ou seja, a guerras às drogas é uma forma de criminalização da pobreza e uma forma de genocídio da população negra. “Se não for superada a hierarquia racial, fundante na sociedade brasileira, não há como se buscar a superação da desigualdade social. Ao tomar raça e classe como categorias de análise, esta pesquisa encara a questão das drogas sob uma ótica interseccional e apesar de não ter como objetivo analisar a forma como o gênero tem influência, a pesquisadora também traz dados sobre o papel das mulheres nesta questão, principalmente no diz respeito ao aumento da população carcerária feminina. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Em Pauta, n. 45, 2020, UERJ.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Aline Alsan, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Keu Souza, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Jonaire Mendonça e Erica Larusa.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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