INSTITUTO BUZIOS
INSTITUIÇÃO  |  BOLETIM    |   PUBLICAÇÕES   |   GALERIAS   |   IMAGENS   |   PERSONALIDADES  | VÍDEOS






Movimento Negro
Movimento de Mulheres
Meio Ambiente
 
 
MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 137 AGOSTO 2016
O perigo de ser jovem e negro no Brasil: um olhar sobre a adolescência numa perspectiva racial
Imagem: Campanha da Anistia Internacional Brasil - Jovem Negro Vivo
Aldenora Conceição de Macedo e Herculano Pereira Felipe - Impulsionado pelos acontecimentos que envolvem a adolescência do Brasil, na atualidade, este trabalho apresenta de forma breve o percurso trilhado historicamente em busca de ressignificação da adolescência. Aponta a questão racial como fator legitimador de todo um processo de vulnerabilização que acomete a população negra e, neste caso, a adolescência. Nesse sentido busca ressaltar o peso do racismo no que diz respeito à violência urbana por meio de pesquisas estatísticas e demonstra, como um alerta, o local de perigo constante - suscetível a todo tipo de violência, até mesmo a violência letal, ocupado pelo jovem negro na sociedade. É um trabalho de revisão bibliográfica cujo objetivo é o despertar para uma reflexão sobre os rumos que estão norteando legal e socialmente a adolescência e as ameaças políticas que visam cercear seus direitos. A conclusão é a de que se há algum interesse em se combater essa realidade violenta e desigual, deve estar aliado às políticas de prevenção que visam melhoria das condições de vida da população negra como um todo. Fomentando a articulação e integração de esforços de diferentes áreas e entre diferentes níveis de governo. Somente assim se faz possível transformar a realidade a que estão sujeitos milhões de jovens negros brasileiros. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Norus / UFPEL, v. 4, n. 5, 2016.

Os problemas e a invisibilidade do aprisionamento de mulheres

Por Pamela de Gracia Paiva - Segundo o Infopen, a população penitenciária feminina no Brasil apresentou crescimento de 567,4% entre 2000 e 2014, enquanto a dos homens, no mesmo período, foi 220,20%. Cerca de 50% têm de 18 a 29 anos. A maioria, duas em cada três presas, é negra. Outro ponto analisado pelo levantamento é o motivo da prisão. “O encarceramento feminino obedece a padrões de criminalidade muito distintos, se comparados aos do público masculino. Enquanto 25% dos crimes pelos quais os homens respondem estão relacionados ao tráfico, para as mulheres essa proporção chega a 68%. Por outro lado, o número de crimes de roubo registrados para homens é três vezes maior do que para mulheres”, diz o texto. Recentemente, foram lançados dois livros sobre o assunto. “Presos que Menstruam” da autora e jornalista Nana Queiroz e “Cadeia: relatos sobre mulheres”, da antropóloga e pesquisadora Debora Diniz. Desde então, os debates sobre o aprisionamento de mulheres parece que se acenderam e esse tema têm sido discutido em alguns grupos. Além disso, também existem projetos em diversos Estados a fim de recolher doações de material de higiene para as mulheres presas, proporcionando dessa forma uma condição mais digna. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Blogueiras Feministas.

Produzir conhecimento é um pensar militante

Por Luiz Fernandes de Oliveira - Refletiremos neste texto uma dimensão que o estudo das relações étnico-raciais na educação no Brasil tem demostrando nos últimos anos, ou seja, não há possibilidade de construção do conhecimento se não tivermos uma postura militante e engajada. Esta última afirmação quer debater com a ideia hegemônica de que para ser cientifico e objetivo, o sujeito que se envolve com a produção do conhecimento, só o fará se for alçado como sujeito epistêmico, mensageiro de um modo preciso de investigar, armado com conceitos, que o direciona na ação sobre a empiria e na explicação, como segurança de objetividade do conhecimento produzido, como aquele que produz verdades e sentidos para a sociedade. Entretanto, como veremos em nossa argumentação, os sujeitos produtores de conhecimento são mobilizados por uma inquietação intelectual, que tem sua matriz na realidade concreta em que o mesmo está implicado. [Versão expandida do trabalho apresentado no II Seminário Internacional Culturas y Desarrollo: Territórios, Culturas y Buen Vivir em Costa Rica entre os dias 20 e 22 de julho de 2016]. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Luiz Fernandes de Oliveira, Instituto Búzios.

Ações afirmativas e o horizonte normativo da democracia racial

Ignacio Godinho Delgado - Este artigo faz uma síntese das percepções intelectuais sobre as relações raciais no Brasil e avalia o impacto das políticas de ação afirmativa ao longo do século em curso. Assinala, também, que o caráter plural da tácita coalizão que sustentou o fortalecimento das políticas de ação afirmativa na agenda política brasileira nos últimos anos sugere a possibilidade de constituição de uma nova crença compartilhada, em que a noção de democracia racial afaste-se de seu paradigma descritivo e ideológico, para converter-se num horizonte normativo, que não mascare o racismo e as desigualdades raciais, mas sim defina os objetivos a perseguir na luta para sua superação e os caminhos para alcançá-los. Pesquisas de opinião surpreendentemente revelavam uma expressiva simpatia da maioria da população com as políticas de ação afirmativa, evidenciando como a experiência concreta das pessoas se afastava da imagem proporcionada pela noção descritiva de democracia racial, deixando-as, por assim dizer, disponíveis para aceitação de outro discurso, agora finalmente enunciado de forma ampla. No limite, constituiu-se uma tácita coalizão entre ativistas de esquerda – críticos da noção descritiva da democracia racial –, pesquisadores e gestores de políticas sociais adeptos de sua focalização, intelectuais e jornalistas de diferentes inclinações ideológicas, além, naturalmente, da maioria do movimento negro, que convergia crescentemente nessa direção. Leia o artigo na íntegra. Osmundo Pinho | Fonte: Caderno de História, v. 17, n. 26, 2016, PUC Minas.

Racismo Inverso: Mito ou Realidade? Um Enfoque Discursivo

Alexandre Reis - Tentaremos nesse texto tratar de um tema que recorrentemente vemos aparecer nos espaços de debate sobre questões étnico-raciais, que é a possibilidade de, no Brasil, um branco sofrer racismo. Isto é, vamos discutir o famigerado racismo inverso. Será que isso é possível? Para responder essa pergunta, mobilizei nesse texto alguns conceitos duma perspectiva sociológica responsável pela problematização da constituição histórica dos sujeitos e outros conceitos da Análise de Discurso, linha teórica da linguística que mais problematizou a relação entre ideologia e prática discursiva. Tentei respeitar uma linha limítrofe entre a leveza dum ensaio expositivo e a densidade do texto teórico para ajudar o leitor não familiarizado com os conceitos a responder a pergunta inicial. Primeiramente, para se definir “racismo” é necessário, como todo fenômeno social, entendermos todas as manifestações sociais dessa ideia. Por ser um conceito abstrato, como o é sociedade, humano, história, enfim, como é a maioria dos conceitos utilizados nas ciências humanas, sua definição e a base metodológica de sua demonstração estão correlacionadas. Por exemplo: um conceito amplo de racismo demanda uma análise atenta aos grandes movimentos históricos de continuidade. Ou seja, esse conceito amplo seria útil para uma perspectiva historiográfica como seria um estudo hipotético intitulado “A história dos sistemas racistas”. Por sua vez, um conceito mais restrito demanda uma análise atenta aos detalhes, às rupturas, ou seja, uma metodologia quase que oposta àquela e que dá base para o conceito de “racismo” utilizado nos estudos discursivos, por exemplo. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Alma Preta..

Do uso epistemológico e político das categorias “sexo” e “raça” nos estudos de gênero

Por Elsa Dorlin - A partir de uma reflexão sobre o black feminism, o artigo trata da articulação entre dominação de gênero e racismo e de como esta constitui um dos temas teóricos e políticos mais importantes do feminismo anglo-saxão: em que medida a experiência da segregação racista serve de modelo ao sexismo e dificulta a unidade política do feminismo? Se o sujeito ideológico ―mulher implodiu sob a crítica do patriarcado, o que acontece com o sujeito político do feminismo mesmo, ―nós mulheres? Minha tese consiste em mostrar como os discursos da dominação colocam à disposição dos grupos oprimidos modelos a-históricos que reificam incessantemente esses grupos, mesmo quando estes modelos são empregados para se afirmar positivamente. Nessas condições, ao querer desessencializar o sujeito do feminismo ―as mulheres, o risco é de re-naturalizar uma miríade de sub-categorias (mulheres negras, mulheres que portam o véu, mulheres migrantes…) que se tornam anteriores às lutas. Da nossa capacidade em revelar a historicidade e o entrelaçamento das categorias ―sexo‖ e ―raça‖ e em utilizar técnicas de tumulto capazes de inventar uma outra linguagem política dependem nossas capacidades de agir e de se pensar como sujeitos políticos em devir. Zelinda Barros | Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Periódicus, v. 1, n. 5, 2016, CUS / UFBA.

O continente africano e a produção africana do conhecimento

Por Cláudio Alves Furtado - O conhecimento do percurso histórico do continente africano tem vindo, nas últimas décadas, a merecer uma atenção particular de pesquisadores e cientistas, africanos e africanistas num importante esforço que vem sendo empreendido desde os meados da década de cinquenta do século passado e que viria a conhecer um de seus apogeus na elaboração, sob os auspícios da Unesco, dos oito volumes da História Geral da África. No entanto, negações, denegações e silenciamentos da África, dos africanos e suas historicidades persistem tanto em determinadas tradições teóricas e epistemológicas quanto em discursos de algumas elites, nomeadamente a política, dos países euro-ocidentais. O presente texto ambiciona, por um lado, fazer emergir os reptos acadêmicos e políticos que, neste momento, se colocam a uma adequada e pertinente produção científica sobre o continente africano e, por outro, tentar esboçar possíveis alternativas epistemológicas, teóricas e metodológicas que poderão ressituar e ressignificar a história dos povos africanos e de suas sociedades, propondo uma leitura concomitantemente endógena e local, mas universal no sentido em que ela se encontra inserida na dinâmica e nas vicissitudes históricas que colocaram – e colocam – a África e os africanos em relação consigo mesmos e com outros povos, continentes e civilizações. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Latino-Americana de Estudos Avançados, v. 1, n. 1 2016, Unila.

Quando a África se une

Após centenas de anos de opressão sob o regime colonial e décadas no papel de peão em um mundo bipolar, o continente africano foi abandonado após ter sido degradado. Aqui Kumi Naidoo explica esse contexto histórico em que uma nova iniciativa da sociedade civil pan-africana vem se desenvolvendo, da qual ele é o Diretor. Depois de examinar várias tentativas anteriores de criação de unidade na sociedade civil na África e sugerir as razões porque falharam, o autor oferece uma breve visão sobre como deverá se constituir a nova Iniciativa da Sociedade Civil da África. Reconhecendo que a mesma ainda está em seus primórdios, Naidoo descreve o processo de consulta que está sendo usado para entender melhor o que a sociedade civil significa na África de hoje e como o consenso pode ser alcançado em um ambiente tão diverso. Ele conclui descrevendo os tipos de atividades que serão realizadas no início, para implementar as seis áreas temáticas transversais que foram identificadas até o momento. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Sur, Revista Internacional de Direitos Humanos.

Entre batuques e cantos: o samba como arma de resistência negra

Sheila Alice Gomes da Silva - É comum perceber na historiografia brasileira representações hegemônicas de resistência ao processo escravocrata a partir de lutas armadas. O que acaba constituindo uma única perspectiva em detrimento das diversas outras formas engendradas contra este sistema por grupos negros. Olhando para essas manifestações de luta firmadas em saberes, mandingas, musicalidades, oralidade, entre outros, objetivamos evidenciar, especificamente, o samba como movimento de resistência. Com letras que reafirmam as culturas negras, fazem críticas e denunciam uma realidade de opressão e violência, constituem-se espaços de permanência - prolongamentos das culturas africanas ou afro-brasileiras frente à opressão colonialista e capitalista. A partir da análise de algumas letras buscamos perceber o samba como uma das armas de resistência constituídas pelas populações negras a partir de meados do século XIX até o tempo presente. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista de História da UEG - Anápolis, v.5, n.1, 2016.

Pedagogias da Imprensa Negra: entre fragmentos biográficos e fotogravuras

Maria Angélica Zubaran - Este artigo investiga as pedagogias do jornal de imprensa negra O Exemplo, nas primeiras décadas do século XX. O objetivo central é analisar os fragmentos biográficos e as fotogravuras que os jornalistas do jornal O Exemplo produziram e fizeram circular  sobre  afrodescendentes. Inicialmente, apresento o jornal O Exemplo e discuto a positividade pedagógica da mídia e a noção de pedagogia. Em segundo lugar, aproprio-me dos argumentos de Stuart Hall, para analisar as fotogravuras de afrodescendentes veiculadas pelo jornal e também abordo diferentes perspectivas analíticas sobre o uso da fotografia. Finalmente, procuro demonstrar que tanto os fragmentos biográficos quanto as fotogravuras do jornal O Exemplo foram estrategicamente produzidos para disseminar pedagogias e construir modelos de negros com os quais os afrodescendentes poderiam se identificar e construir sua autoestima. Leia o artigo na íntegra. Elton Nunes | Fonte: Educar em Revista, n. 60, 2016, UFPR.

Movimentos populares, democracia e participação social no Brasil

Por Ana Claudia Diogo Tavares. Fernanda Maria da Costa Vieira. Mariana Trotta Dallalana Quintans. Ana Lúcia Ribeiro Pardo. Mauricio Hiroaki Hashizume. Cláudio Luis Camargo Penteado. Marcelo Burgos Pimentel dos Santos. Rafael de Paula Aguiar Araújo. [Autores de Capítulo]. O Prêmio Eder Sader instituído pela CLACSO e destinado a pesquisadores da América Latina e do Caribe é tanto uma homenagem ao grande intelectual e ativista político brasileiro, como uma oportunidade de manter viva a sua memória; uma memória recolocada e cultuada, tendo como referência a reflexão e o debate sobre movimentos populares, democracia e participação política. O estudo intitulado “Estado de Exceção e as ações diretas em busca da democracia: uma análise dos novos movimentos reivindicatórios diante dos megaeventos”, tem como foco central “a atuação das instituições políticas e jurídicas no contexto dos preparativos para o megaevento Copa do Mundo, bem como os protestos e movimentos sociais emergentes no cenário brasileiro desde junho de 2013. Leia o estudo na íntegra. Fonte: Conselho Latinoamericano de Ciências sociais – CLACSO.

Capitalismo verde, deus fracassado

Por Richard Smith | Tradução: Inês Castilho e Antonio Martins. O texto é um fragmento resumido do ensaio “A economia eco-suicida de Adam Smith”, parte do livro Green Capitalism: The God That Failed [“Capitalismo Verde, o deus fracassado”]. Embora o capitalismo tenha produzido um desenvolvimento sem precedentes, esse mesmo motor está agora nos conduzindo em direção ao colapso ecológico, ameaçando destroçar-nos a todos. A economia capitalista de Adam Smith não pode oferecer solução para a crise porque a crise é o produto da própria dinâmica de produção movida pela competição por mercado que gera a crescente acumulação de riqueza e consumo, celebrada pelos economistas smithianos. Ainda hoje, as obras padrão de teoria econômica não fazem quase nenhuma menção a meio ambiente ou ecologia e virtualmente nenhuma consideração séria sobre o problema. Isso reflete a crescente virada para a direita da ciência econômica, desde os anos 1970. Em países como os Estados Unidos, a profissão de economista abandonou desde então a prática do pensamento científico crítico de visões dissidentes. Hoje, um dogma religioso “neoliberal” neo-totalitário domina a disciplina. O keynesianismo, o velho liberalismo, para não mencionar o marxismo, são todos desprezados como incuravelmente antiquados; a economia ecológica é suspeita e aconselha-se o estudante de graduação prudente a manter-se longe de tais interesses, se deseja encontrar um emprego. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lidianny Fonteles, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Tereza Cristina Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
Mídia Negra e Feminista no Facebook
 
site search by freefind
 
 
INSTITUIÇÃO  |  BOLETIM    |  PUBLICAÇÕES   |   GALERIAS   |   IMAGENS   |   PERSONALIDADES  |   FALE CONOSCO
Rua Professor Isaias Alves de Almeida 222, Ed. Chapada dos Guimarães, Sala-34B - Costa Azul / CEP: 41.760-120 / SalvadorBa Tels: (71) 9102-3139 - 3342-4707
This site is copyright © Instituto Búzios
By Designer Charles Santana 2009. Instituto Buzios