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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 163 OUTUBRO 2018
#ELE NÃO É PARTE DO FEMINISMO QUE VENCERÁ CRISE MUNDIAL - Por Nancy Fraser e Mayra Cotta

Foto: Manifestação #EleNão, #EleNão#, NotHim, reune milheres de mulheres em Salvador-BA

A resistência à escalada autoritária por meio da organização de lutas feministas é uma realidade global. E a campanha-em-movimento #EleNão, que levou centenas de milhares de mulheres às ruas no Brasil e pelo mundo no último sábado, 29 de setembro de 2018, é parte desse incrível processo de insurgência das vozes historicamente caladas na política. Assim como o Brasil não está sozinho entre os países que vivenciam o sucesso eleitoral de projetos quasi-facistas, as mulheres brasileiras também não estão sozinhas na resistência feminista a esta onda de autoritarismos. Por todo o mundo, da África do Sul à Polônia, da Espanha à Argentina, do Irã aos Estados Unidos, as mulheres, e em especial as mulheres não brancas, pobres e periféricas, estão enfrentando os homens que amam fardas e detestam a democracia. Não é coincidência que esta realidade se desdobre no momento que vivemos uma intensa crise global do Sistema capitalista. Uma crise que não atinge apenas a economia, mas também a sociedade e nossas instituições. Afinal, o capitalismo não é apenas um sistema econômico, mas uma ordem social que institucionaliza sistemas de dominação. Esta crise traz consigo o aprofundamento da desigualdade na distribuição das riquezas, o retrocesso de direitos arduamente conquistados, a ascensão violenta do racismo e da homofobia na retórica dos políticos e nas práticas sociais, a destruição irremediável da natureza e a intensificação de conflitos interno e externos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Folha de S. Paulo.

Eliane Brum: #EleNão. #NósSim

Demorei a entender que a violência de ter um corpo sempre em risco não era um dado a mais na trajetória de uma vida. Não era um trauma ou uma história triste. Ou vários traumas ou várias histórias tristes. A violência é tão constituinte do que é ser uma mulher como nossos ossos, órgãos, sangue. A violência é estrutural no nosso ser e estar no mundo. Compreendemos o que somos pela ameaça aos nossos corpos. Ser mulher é ser um corpo que não se sente seguro em lugar algum. Por que #EleNão? Porque ser mulher é também ser um corpo insurrecto. É ser um corpo que luta contra a opressão há milênios. Mesmo com o risco de ser destruído pelo fogo dos inquisidores. Porque ser mulher é ter como passado grandes mulheres que lutaram pela liberdade e nos trouxeram até aqui fazendo do nosso corpo rebelião. Leia o artigo na íntegra. Fonte: El País.

O pessoal é político: conscientização feminista e empoderamento de mulheres

Por Cecilia Maria Bacellar Sardenberg - Na história dos movimentos de mulheres, os grupos de conscientização, reflexão e ação feministas, bem como as oficinas de sensibilização para gênero tiveram – e continuam tendo - papel fundamental no desmonte do patriarcado. Neste trabalho, pretendo resgatar um pouco dessa história, para pensarmos sobre a relevância desses espaços de conscientização e ação coletiva para o empoderamento de mulheres na atualidade. Para tanto, inicio com uma discussão sobre diferentes abordagens no tocante a poder e empoderamento de mulheres, com ênfase nas abordagens que enfatizam os processos de conscientização e ação. Foi em fins dos anos 60, a partir da experiência dos grupos de conscientização feministas criados como parte do Women’s Liberation Movement, nos Estados Unidos, que se forjou a expressão: ‘o pessoal é político’. Esses grupos reuniram, originalmente, mulheres ativistas, a maioria de inclinação socialista e autoidentificadas como ‘radicais’, para discutir questões pertinentes ao “ser mulher” na sociedade americana. Inspirando-se, para tanto, nas técnicas utilizadas por revolucionários chineses conhecidas pela expressão “Falar da Dor” (Speak Bitterness) e assim superá-la, as participantes trocavam suas vivências e experiências, constatando que suas relações afetivas e familiares também se caracterizavam como relações de poder nas quais as mulheres se viam em situação de desvantagem. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Inclusão Social, v.11 n.2, 2018, Brasília-DF, IBICT.

Identidade, Potência

Lívia Aguiar discute como internet e cultura se tornaram aliadas na difusão de histórias de diferentes lugares de fala e na contestação de estruturas de poder construídas no Brasil desde o período colonial – o machismo, em especial. Sobre o machismo fala também Carla Rodrigues, que discute o que restou do antigo debate sobre o lugar da mulher. Em entrevista concedida a Paula Carvalho, o jornalista e historiador americano Asad Haider afirma que o conceito de política de identidade degenerou em um discurso excludente. “A agenda feminista tem tido papel fundamental na produção cultural e na contestação das estruturas de poder construídas, no Brasil, desde o período colonial. Empoderamento não é apenas reconhecer as forças sistêmicas que oprimem, como também atuar para mudar as relações de poder existentes: “Empoderamento é um processo dirigido para a transformação da natureza e direção das forças sistêmicas que marginalizam as mulheres e outros setores excluídos em determinados contextos”, define a antropóloga feminista Cecília M. B. Sardenberg. Leia a reportagem na íntegra. Fonte: Bravo.

Espectros do anti-intelectualismo tropical

Por Henri Acselrad - Quando ideologias escravistas tentam se afirmar publicamente como legítimas, mudar o clima do debate significa desvendar e denunciar todo esforço de justificação da desigualdade pela inferiorização dos pobres, das mulheres, dos negros, dos indígenas, dos povos tradicionais. O projeto anti-democrático que naturaliza e justifica a distribuição das pessoas segundo status desiguais – expressão explícita do conservadorismo brasileiro – costuma recusar o debate intelectual quando este se aplica à busca de superação das desigualdades. Tendências anti-intelectualistas deste tipo têm aparecido, por exemplo, nos ataques feitos às ciências humanas, tidas por inúteis, e à universidade pública em geral, por esta abrigar pesquisas que questionam a reprodução da sociedade tal como ela é. Combatem, por vezes, o princípio mesmo da democracia que garante a legitimidade do debate sobre o que é legítimo e o que é ilegítimo, princípio que permitiu, até aqui, que movimentos sociais tivessem podido oferecer resistência à imposição de desigualdades sociais, de gênero e de raça. Leia o artigo na íntegra. Terezinha Gonçalves | Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Os dezesseis pontos para resgatar o estado democrático de direito no Brasil

Em carta aberta à sociedade brasileira, divulgada dia 25/09/2018, Associação Brasileira de Juristas pela Democracia - ABJD rechaça aventuras autoritárias. A carta aponta os compromissos que a entidade considera essenciais por parte dos candidatos a presidente nas eleições gerais deste ano. Os 16 pontos do documento são "considerados por nós como indispensáveis para a defesa e fortalecimento do Estado Democrático de Direito no Brasil, para a busca de um país plural e mais igual e para a retomada de direitos da sociedade brasileira", diz o texto. Logo em seu primeiro item, a carta destaca a importância de que haja "respeito ao resultado obtido nas urnas em 2018 e aos mandatos conquistados". "O absoluto repúdio a discursos de ódio e a discriminações machistas, racistas, homofóbicas, políticas ou de qualquer ordem, o que não se confunde com a necessária intransigência diante do fascismo e do autoritarismo" conclui o documento. Leia a carta na íntegra. Fonte: Brasil de Fato.

Sobre o lugar do branco na luta anti-racista

Por Lia Vainer Schucman – “Paula Guimarães me convidou como colunista do portal catarinas. Primeiro texto. Há exatamente 10 anos venho trabalhando com a temática da branquitude, falando, escrevendo artigos e pesquisando sobre ela. Durante esse período, tenho podido observar diferentes reações diante das apresentações sobre o tema. E há perguntas que são constantes, as quais posso apostar que irão aparecer em todo fim de palestra. Por exemplo, é recorrente perguntarem por que eu, uma mulher branca, me interessei pelo tema. É uma pergunta que, às vezes, vem em tom de curiosidade, outras em tom de questionamento acerca da legitimidade de uma pessoa branca falar sobre isso. Primeiro, cabe ressaltar, esta não é uma causa para os outros: é uma causa que envolve um projeto de país, um projeto de nação. Trata-se de um projeto de vida coletiva. No Brasil não há como pensar minimamente em sociedade igualitária sem pensar a questão racial. Quem desconsidera o racismo como estruturante das desigualdades sociais brasileiras não compreendeu nossa história, tampouco o legado da escravidão”. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Catarinas.

Sérgio Sauer: Corrida por terras ameaça comunidades tradicionais e áreas indígenas

A demanda crescente por terras, em nível nacional e internacional, está aumentando a pressão de grandes investidores sobre territórios de comunidades tradicionais, unidades de conservação e terras indígenas. Há uma corrida mundial por terras em curso pelo menos desde 2008, que se reproduz também no Brasil por meio de projetos de investimentos produtivos e especulativos. O governo Temer vem trabalhando com a lógica de acelerar esses investimentos alimentando a pressão exercida por interesses do agronegócio, da indústria de mineração, de energia e de fundos de pensão internacionais. Em entrevista concedida ao Sul Vinte Um, o professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Diretor da Terra de Direitos, Sérgio Sauer, analisa impactos da implementação da Lei 3465/2017, batizada de “Lei da Grilagem. "Há duas razões para a escolha da palavra “grilagem” para designá-la. Ela mudou uma série de leis agrárias, inclusive a lei de 1993, e alterou o programa Terra Legal, criado pelo governo Lula como uma política de regularização fundiária na Amazônia. O limite de 1.500 hectares foi ampliado para 2.500 hectares pelo governo Temer. A segunda mudança importante é que o programa foi ampliado para o país inteiro, não se restringindo mais à região amazônica. 2.500 hectares na Amazônia é uma coisa. Agora, 2.500 hectares em um Estado como o Rio Grande do Sul é algo bem diferente. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Sul 21.

Afrodescendência e Educação: desafios políticos e epistemológicos para além da Academia - Entrevista com Eduardo Restrepo

Por Dana Milena Chávarro Bermeo e Michele Guerreiro Ferreira - O antropólogo colombiano Eduardo Restrepo, doutor em Antropologia (com ênfase em Estudos Culturais) pela Universidade de Carolina do Norte de Chapel Hill, atualmente é professor e Diretor do Mestrado de Estudos Culturais e do Departamento de Estudos Culturais na Faculdade de Ciências Sociais da Universidad Javeriana. É reconhecido como um dos mais importantes pesquisadores latino-americano dos Estudos Culturais. E também integra a Associação Latino-americana de Antropologia (ALA), na qual foi presidente entre 2015-2017 e é membro-fundador da Red de Antropologías del Mundo - World Anthropologies Network (RAM-WAN[1]), entre várias outras atuações. A presente entrevista[2] realizada por integrantes do Instituto de Estudos da América Latina (IAL- UFPE) indaga o professor Eduardo Restrepo sobre vários elementos de sua proposta epistemológica. Na qual o professor Eduardo Restrepo se coloca criticamente acerca do papel da Academia e do Estado diante das pautas mobilizadas pelos Movimentos Sociais perante as questões étnico-raciais, de gênero, de sexualidade, entre outros, e expõe a necessidade das lutas sociais para enfrentar o racismo, o sexismo, enfim. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Revista Interritorios, v. 4, n. 7, 2018, UFPE.

A Batalha da Praça da Sé (ou Quando o povo pôs os fascistas para correr em São Paulo)

Por Augusto C. Buonicore - No dia 7 de outubro de 1934, uma ação conjunta das organizações da esquerda brasileira desbaratou uma grande manifestação promovida pelos integralistas no centro de São Paulo. O que aconteceu naquela tarde de domingo na Praça da Sé serviu de exemplo a todo o país. Os conflitos se multiplicaram e as forças democráticas e populares não permitiram que os fascistas tupiniquins assaltassem as ruas das grandes cidades e intimidassem os trabalhadores. Impediram que ocorresse aqui o que aconteceu na Itália e na Alemanha. Tudo isso deve ter vindo à tona quando chegaram notícias de que os integralistas, uma versão tropical do nazi-fascismo, pretendiam realizar uma demonstração de força no centro de São Paulo. Diante da instabilidade política vivida pelo Brasil, aquela manifestação não deixava de representar um grave perigo ànossa frágil democracia. Muitos membros do governo Vargas, particularmente na cúpula das forças armadas, não escondiam suas simpatias pelos regimes de Mussolini e Hitler. Portanto, era preciso impedir a realização daquela marcha. Os antifascistas sabiam que o próximo passo seria o ataque às sedes e aos militantes dos movimentos populares, com apoio das forças repressivas do Estado getulista. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Fundação Mauricio Grabois.

Antonio Luigi Negro: “Coisa De Branco”

Tese de professor titular em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Com crítica à transição do trabalho escravo para o livre e à macronarrativa da modernização, discorre sobre os debates e embates havidos no Brasil quando do fim da escravidão em 1888, analisando os seus desdobramentos quanto aos problemas da lavoura, da imigração e do pós-abolição. A tese aborda não só a queixa senhorial quanto a falta de indenização aos proprietários de escravos, mas também o descarte da alternativa de promover a imigração asiática como uma política substitutiva, apontando para soluções referidas ao costume, às contingências, estas resumíveis em esbulho das terras indígenas, seguido de sua proletarização. A tese defende que, para parcela considerável da classe trabalhadora no século XX, as lutas entre capital e trabalho podiam ter a mobilidade e a autonomia como componentes fundamentais, em paralelo à dignidade e valor do trabalho. Em contrapartida, perante a constante insinuação dos de baixo pelo direito a ter direitos, os beneficiários de sua força de trabalho preferiam convenientemente alugá-la e dispensá-la, o que em geral exigia a fixação da mão-de-obra a uma unidade produtiva. Acesse a tese na íntegra. Fonte: GT Nacional Emancipações e Pós-Abolição.

Sociedade Protetora dos Desvalidos: mutualismo, política e identidade racial em Salvador (1861-1894)

Por Lucas Ribeiro Campos, Dissertação de Mestrado - T A Sociedade Protetora dos Desvalidos foi a primeira associação civil negra do Brasil, instalada em 1851 e regulamentada pelo governo em 1861. De acordo com seu estatuto de 1874 e reiterado em 1894, a associação admitia como sócios efetivos “todos os cidadãos brasileiros de cor preta”, com o objetivo de auxiliá-los na doença, invalidez, prisão, velhice e, até mesmo, após a morte, através de um funeral digno. Proporcionava também pensões aos familiares dos sócios e supervisionava a educação dos órfãos. Esta dissertação tem como objetivo principal entender como os trabalhadores livres de cor, associados a SPD, constituíram naquele espaço uma noção de solidariedade e pertencimento racial, que atendessem às suas demandas nas últimas décadas do século XIX, como acesso à cidadania, educação e ajuda mútua. Em um contexto de crise do escravismo, com a efervescência dos movimentos abolicionistas no Brasil, principalmente nas décadas de 1870 e 1880, procuro entender qual era o lugar da SPD nessa conjuntura. Para isso, utilizei como fontes principais os documentos do Arquivo da Sociedade Protetora dos Desvalidos (ASPD), como atas, estatutos, relatórios, demonstrativos financeiros, pedidos de inscrição, bem como solicitações de socorro, pensão e aposentadoria. Acesse a dissertação na íntegra. Fonte: FFCH / UFBA.

"Parque Industrial", de Patrícia Galvão (Pagu), completa 85 anos com ótima reedição

Há 85 anos, Pagu – pseudônimo da escritora Patrícia Galvão (1910-1962) – publicava um clássico: "Parque industrial". O "romance proletário" voltou recentemente ao mercado em excelente edição do Editorial Linha a Linha, que respeita o projeto original do livro. "A narrativa – que se passa no Brás, à época reduto operário de imigrantes italianos em São Paulo –, ao encaminhar-se num crescendo para a eclosão de uma greve, traz uma evidência logo de saída: trata-se de um romance de mulheres", explica Walnice Nogueira Galvão, professora emérita da USP - Universidade de São Paulo. Aqui, ela discorre sobre sobre Pagu, sobre o romance e sobre a presente edição. Leia a resenha na íntegra. Fonte: Suplemento Pernambuco.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Aline Alsan, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Keu Souza, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Juciene Santos, Erica Larusa.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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