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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 152 NOVEMBRO 2017
A Revolução Russa, a África e a Diáspora

[Foto: W. E. B. Du Bois e Shirley Graham Du Bois observando o desfile de maio na Praça Vermelha de Moscou, 1º de maio de 1959]

Por Hakim Adi - Desde a época da Grande Revolução de Outubro de 1917, os africanos e os de herança africana em todo o mundo gravitaram sobre os acontecimentos revolucionários na Rússia e no comunismo, vendo neles um caminho para sua própria libertação. Talvez não seja surpreendente, mas muitas das principais figuras políticas negras do século XX, na África e em outros lugares, foram comunistas, ou pelo menos inspiradas e influenciadas pelo movimento comunista internacional. Estes incluem figuras tão diversas como André Aliker, Aimé Césaire, Angela Davis, Assata Shakur, WEB Du Bois, Elma Francois, Hubert Harrison, Claudia Jones, Alex la Guma, Audley Moore, Josie Mpama, Kwame Nkrumah, George Padmore, Paul Robeson, Jacques Romain, Thomas Sankara, Ousmane Sembène e Lamine Senghor. Os afro-americanos e os da diáspora africana ficaram impressionados com a perspectiva de que a Revolução pudesse se espalhar globalmente e sinalizar o fim do sistema centrado no capital e tudo o que estava interligado a ele, incluindo a opressão racista. O poeta e escritor jamaicano Claude McKay referiu-se a Revolução de outubro como "o maior evento da história da humanidade", e o bolchevismo como "a maior e mais científica ideia do mundo hoje". Outro jamaicano, Wilfred Domingo, perguntou-se: " O bolchevismo alcançará a plena liberdade da África, as colônias em que os negros são a maioria e promoverá a tolerância e a felicidade humanas nos Estados Unidos? "Houve, portanto, uma admiração precoce pela Revolução, na perspectiva que anunciava a possibilidade de uma alternativa ao sistema centrado no capital que seria vantajoso para aqueles que foram oprimidos nos Estados Unidos e no Caribe, bem como na África. Estas eram as perspectivas das organizações do início do século XX, que se inspiraram na Revolução de outubro, como a Irmandade de Sangue Africano nos Estados Unidos, que posteriormente incluiu muitos líderes comunistas negros como Otto Huiswoud, Cyril Biggs, Harry Haywood e Grace Campbell. Leia o artigo na Integra. Fonte: Coletivo Minervino de Oliveira | Africam American Intellectual History Society.

Entrevista especial | Rosana Pinheiro-Machado: Esquerda e direita disputam regimes de verdade

As disputas entre direita e esquerda vão além do campo econômico, e hoje os dois espectros políticos disputam “padrões de verdade”, diz a socióloga Rosana Pinheiro-Machado à IHU On-Line. Segundo ela, “o que nós estamos assistindo hoje no mundo é uma disputa por regimes de verdade, no sentido foucaultiano, ou seja, grandes padrões de verdades, noções de civilização, globalização, universalismo, direitos humanos etc. que estão sendo disputados. É o cerne de grandes debates ocidentais que estão sendo disputados pela direita, algo bastante grandioso e que mexe com valores e noções que vinham se sedimentando por muito tempo”. A socióloga comenta como a esquerda e a direita estão se movendo para disputar essas verdades. “A esquerda, por seu turno, está perdida e reativa. E veja que ironia: sempre foi papel da esquerda questionar a globalização e a universalidade (o imperialismo) dos valores burgueses dos direitos humanos. É a direita que está fazendo, pelos meios errados (para retroceder e não para avançar), o debate que nós deveríamos estar fazendo”, diz. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: IHU.

Racismo religioso: Os santos perseguidos

Reportagem evidencia que denúncias sobre intolerância religiosa cresceram no Brasil 4960% nos últimos 5 anos. No Rio de Janeiro, 90% dessas denúncias partem de casos na Umbanda e Candomblé. Em vários momentos da história brasileira, as religiões de matriz africana, cuja essência teológica e filosófica é baseada nos valores civilizatórios negroafricanos, sofreram repressão e foram tratadas como práticas primitivas e profanas. Até a Constituição Imperial, promulgada em 1824, que concedeu certa liberdade de culto aos não-católicos, foram alvo de perseguição do estado e consideradas criminosas. Neste período, os negros-africanos escravizados só podiam cultuar as divindades secretamente. A liberdade religiosa só passou a ser considerada um direito fundamental com a Constituição de 1988. Leia a reportagem completa. Fonte: Agência Pública.

Como o modelo educacional prejudica as notas de alunos negros, segundo estudo da FEA-USP

Alunos negros possuem desempenho escolar inferior ao de alunos brancos, mesmo quando estudam na mesma escola e são submetidos à mesma grade curricular ao longo do tempo. O resultado, que foi descrito por economistas em estudo publicado pela FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da USP, aponta a discriminação racial no ambiente escolar e a alta rotatividade de professores como fatores explicativos para a diferença de desempenho entre negros e brancos. A pesquisa se baseou na comparação de indicadores de desempenho escolar de duas fontes. Por um lado, foram utilizadas as notas atribuídas pelos professores aos alunos em sala de aula. Por outro, foram utilizados dados do Saresp (Sistema de avaliação de rendimento do estado de São Paulo), exame anual aplicado pelo governo estadual. Os dados abarcam o período de 2007 a 2010. Comparando as duas fontes de dados e aplicando técnicas econométricas, os pesquisadores obtiverem indicadores que sugerem que as notas de alunos negros na avaliação subjetiva – professor em sala – são sensivelmente menores do que as notas na avaliação “cega” – caso do Saresp. Leia a matéria completa. Fonte: Nexo.

A teologia da libertação e o congresso do celam em 2018

A Igreja da América Latina, sob liderança do Papa Francisco, convoca para 2018 encontro que tenta retomar a Conferência de Medellin. Ali decidiu-se lutar contra pobreza e o sistema que a produz. O CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) acaba de anunciar a convocação do Congresso 50 anos de Medellín que acontecerá de 23 a 28 de agosto de 2018 “na mesma cidade colombiana e nas mesmas instalações do Seminário de formação sacerdotal, que foi a sede dessa histórica Conferência.” O objetivo, segundo o comunicado do CELAM será “comemorar e projetar a mensagem da Conferência de Medellín como um eixo-chave da Igreja no continente, em diálogo com a Igreja universal”. A Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano realizou-se em Medellín, na Colômbia entre 24 de agosto a 6 de setembro de 1968, convocada pelo Papa Paulo VI para aplicar as decisões do Concílio Vaticano II à Igreja da região. A abertura da Conferência foi feita pelo próprio Papa que marcou a primeira visita de um pontífice à América Latina. Foi um evento histórico, um “segundo concílio”, que aprofundou as decisões do Vaticano II e afirmou claramente, pela primeira vez, os pobres como protagonistas da Igreja e da sociedade. Acabou o tempo da perseguição à Teologia da Libertação sob a liderança da Cúria romana e dos bispos reacionários da América Latina. A chave de leitura do comunicado para a história da Igreja a partir do Vaticano II vira do avesso a perspectiva conservadora dominante desde Wojtyla e parece indicar que depois dos primeiros anos de vacilação, o CELAM adota explicitamente a perspectiva de Francisco. Leia a matéria completa. Fonte: Outras Palavras.

Tese de doutorado realiza diagnóstico dos feminicídios no Brasil

Tese de doutorado “Feminicídios no Brasil, uma proposta de análise com dados do setor de saúde”, de Jackeline Aparecida Ferreira Romio. O trabalho é inédito na tentativa de realizar um diagnóstico dos feminicídios no Brasil, a partir de três categorias identificáveis pelos dados do setor da saúde. A pesquisadora identificou o que poderia ser considerado morte por violência de gênero contra mulher, desenvolvendo uma nova tipologia dos feminicídios, divididos entre feminicídio doméstico (no espaço da residência); reprodutivo (mortes por aborto); e sexual (quando a morte decorre da violência sexual). Ela também separou as faixas de idade das mulheres: de 0 a 14 anos, de 15 a 49 anos e 50 anos e mais. Os feminicídios sexuais também têm relação com cor, raça ou etnia. Segundo o estudo, mulheres pretas, pardas e indígenas correspondem a 43% dos casos de mortes por agressão sexual no período. Leia a matéria completa. Fonte: Unicamp.

Feminicídios na mídia e desumanização das mulheres

Por Ana Liési Thurler - Este artigo examina o tratamento dado pela mídia à violência de gênero extrema contra as mulheres, o feminicídio. Se o feminicida reitera os lugares de gênero ao praticar esse crime, a análise da amostra de matérias reunidas sobre feminicídios ocorridos no Brasil — concentradamente, em Brasília (DF), nos anos de 2015 e 2016 — aponta também para o exercício de uma pedagogia da crueldade, por meio da qual a mídia ensina à sociedade a não ter empatia com a vítima. As matérias são predominantemente descontínuas e pontuais, provocando o sentimento de que os feminicídios são fatos isolados. Aproximando-nos da questão, constatamos ter na sociedade brasileira um fenômeno de femigenocídio, tanto pela magnitude do problema quanto pela intensificação das perversidades. Os discursos midiáticos precisam adotar perspectivas de gênero, e registrar os processos vivenciados pelas mulheres na direção de maior protagonismo. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Observatório, Palmas, vol. 3, n. 6, Outubro-Dezembro, 2017.

Especial | Meu corpo, meu tempo

Décadas depois do surgimento da pílula anticoncepcional, a ciência traz novas possibilidades na busca feminina pela igualdade. Técnicas inovadoras de reprodução permitem às mulheres mais tempo para decidir quando ser mães – ou para ter certeza de que não querem filhos. Congelamento de óvulos, pausa relógio biológico e aumenta autonmia das mulheres. As decisões individuais de cada mulher, também passam pelo social. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, autora de livros como “Toda mulher é meio Leila Diniz”, é verdade que o feminino tem hoje mais escolhas, mais liberdade, mas ainda está preso a uma cultura que valoriza a mãe e a esposa de uma forma convencional. “Muitas mulheres congelam por medo [de mudar de ideia depois]. Para quem quer filhos, mas deixa pra depois, é uma libertação. Mas para quem faz por medo, não é. Será que elas vão saber o que elas querem um dia?”, questiona. Para a antropóloga, a sociedade brasileira ainda não legitima a escolha de não ser mãe, por isso a pressão sobre as mulheres que não têm filhos é ainda maior. Na avaliação dela, as brasileiras ainda não vivem na plenitude as liberdades conquistadas lá nos anos 1960, pós-pílula e revolução sexual, então estão muito longe de poder exercer todas as possibilidades de escolha. Leia a reportagem especial.Simone Henriquez | Fonte: UOL Tab.

Os feminismos e suas perspectivas: teoria e militância

Por Dayanny Rodrigues - Resenha do livro Feminismo e Política: uma introdução organizado por Luis Felipe Miguel e Flávia Biroli. O objetivo dos autores em Feminismo e Política: uma introdução, como o nome sugere, é propor uma discussão introdutória referente à teoria política feminista, apontando e discutindo as diferenciadas vertentes do movimento feminista, bem como as suas contribuições no combate às desigualdades e na busca de uma sociedade mais justa. Destacando que toda teoria feminista é política, os autores tecem uma crítica às teorias políticas tradicionais, ressaltando que estas tendem a aceitar sem questionamento a distinção entre as esferas pública e privada, mantendo-se cegas à relevância política da desigualdade de gênero. A teoria política feminista adota temas ausentes ou marginais nas correntes hegemônicas destas. “Expõe as relações de poder em dimensões da vida cotidiana que não estão no escopo nas relações de boa parte da teoria política, o que é fundamental à própria definição do político no feminismo”. Composta por textos de leitura fluida e prazerosa, a obra alcança o objetivo proposto, de discutir a teoria política feminista à luz das perspectivas do movimento feminista e seus diferentes pontos de vista. Leia a resenha completa. Fonte: Revista de História Bilros, v. 5, n. 9, 2017.

Mulheres camponesas, discursos e práticas para outro desenvolvimento

Adriana Samper Erice e Flávia Charão Marques - Este artigo propõe uma reflexão sobre aspectos do discurso sobre o desenvolvimento construído pelo Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), acessados por meio da análise de documentos e da observação das práticas das mulheres participantes. A primeira parte do texto trata dos diferentes discursos sobre mulheres e desenvolvimento, pontuando algumas das principais mudanças ao longo das últimas décadas. A próxima seção analisa os principais elementos que constroem o discurso sobre desenvolvimento do MMC, que se contrapõe aos princípios norteadores propostos pelas agências de desenvolvimento. São analisadas, também, as singularidades da proposta de um ‘feminismo camponês’ que conduz à problematização do ‘cuidado’ como categoria definidora do papel feminino nas transformações relacionadas ao desenvolvimento, especialmente tomando as práticas que incidem sobre a agricultura e a saúde. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Estudos Feministas, v. 25, n. 2, 2017, UFSC.

Projeto Media Ownership Monitor investiga o obscuro controle sobre a mídia no Brasil

Por Patrícia Cornils - Além de muito concentrada, propriedade sobre meios de comunicação está oculta. Há agora um esforço sistemático para abir a caixa preta. a Repórteres Sem Fronteiras realiza, desde 2015, um projeto chamado Media Ownership Monitor (MOM), ou Monitoramento da Propriedade da Mídia. A partir de dados de audiência, a pesquisa mapeia quais são os principais veículos impressos, online, rádios e tevês do país. Busca as empresas que os controlam. E quem são os donos dessas empresas, que outros negócios possuem, que relações políticas têm. No Brasil, a pesquisa foi feita pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Descobrir quem são os controladores dessas empresas não é um percurso simples. A pesquisa pediu essas informações aos 50 veículos. Nenhum respondeu. Há empresas que simplesmente não declaram a participação de cada um dos acionistas. Há empresas que têm 30% de seu capital em mãos de “Outros” ou ainda aquelas que tem outras pessoas jurídicas como donas. Um agravante deste quadro é a liberalidade total para que os grupos mudem, transfiram, comprem e vendam participações acionárias parciais ou totais. O Monitoramento da Propriedade da Mídia (MOM) vai divulgar todos esses levantamentos para que se saiba quem controla as informações que chegam até nós e mostrar também em quais outros setores os donos da mídia têm interesses econômicos. Leia a matéria completa. Fonte: Outras Palavras.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lidianny Fonteles, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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