INSTITUTO BUZIOS
INSTITUIÇÃO  |  BOLETIM    |   PUBLICAÇÕES   |   GALERIAS   |   IMAGENS   |   PERSONALIDADES  | VÍDEOS






Movimento Negro
Movimento de Mulheres
Meio Ambiente
 
 
MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 140 NOVEMBRO 2016
A PEC 55 e a máquina brasileira de produzir desigualdade

Tânia Bacelar - A PEC 55 (antiga 241) é insustentável. Cedo ou tarde amplos setores da sociedade devem se unir aos milhares de estudantes que ocupam escolas e universidades por todo o país para barrar a agenda que ela propõe: manter um Estado que tira riqueza de quem não tem para financiar quem não precisa. Se ainda não o fizeram é porque existe um debate interditado no Brasil sobre as verdadeiras causas do déficit público e de quem deve pagar a conta pelo ajuste. O diagnóstico é de Tânia Bacelar, 73 anos, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco e uma das mais importantes economistas e pesquisadoras do Brasil. A PEC congela por 20 anos os gastos sociais do governo federal. A economista fez um histórico sobre o processo de financeirização do mundo e do Brasil e tirou o véu que esconde as verdadeiras causas do desequilíbrio das contas públicas. Ela não poupou nossas elites políticas, empresariais e acadêmicas e seu ranço colonialista. Com base nas falas da economista, Marco Zero organizou uma espécie de roteiro econômico para ajudar o leitor a entender melhor como funciona a máquina da desigualdade no Brasil e o que o governo Temer e seus aliados escondem dos brasileiros para justificar o injustificável. Leia a matéria completa. Fonte: Marco Zero.

Oxfam: Violência contra ativistas bate recorde na América Latina

O Informe da Oxfam, “Defensores em Perigo” (ou El riesgo de defender, na versão original do documento) chama atenção para assassinatos de pessoas defensoras de direitos humanos. Segundo dados da Global Witness, 2015 foi o pior ano em assassinatos de defensores e defensoras, com 122 mortes registradas apenas na América Latina e no Caribe, representando 65% da estatística mundial; Em 2016, 58 líderes foram assassinados na região entre janeiro a maio, 24 no Brasil;  41% dos assassinatos estão relacionados à defesa do meio ambiente, da terra, do território e dos povos indígenas, enquanto 15% remetem à defesa dos direitos coletivos LGBTI. O relatório da Oxfam compila dados de organizações da América Latina e do Caribe a fim de que autoridades públicas e sociedade civil possam visualizar melhor a escalada da violência contra líderes que trabalham em prol de causas sociais. O informe também enfatiza que mulheres defensoras de causas socioambientais são particularmente mais vulneráveis à violência, à cultura patriarcal e machista que ainda prevalece na América Latina e no Caribe, e aos ataques que se mantêm impunes. A organização apela urgentemente aos governos desses países para agirem com vigor no impedimento de ataques e no combate à impunidade de crimes contra defensoras e defensores dos direitos humanos na América Latina, evitando o surgimento de novas vítimas. “É, portanto, uma prioridade para os governos da região criar soluções estruturais para a crise econômica por que passa a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o único órgão que pode emitir medidas cautelares em tais casos. Acesse o relatório completo. Fonte: Oxfam.

Ódio à inteligência: sobre o anti-intelectualismo

Marcia Tiburi e Rubens Casara - Os preconceitos não são inúteis. Eles tem uma função importantíssima na economia psíquica do preconceituoso. Sem os preconceitos, a vida do preconceituoso seria insuportável. Os preconceitos servem na prática para favorecer uns e desfavorecer outros, para confirmar certezas incontrastáveis, manter a ordem e descontextualizar os fenômenos. São parte fundamental dos jogos de dominação e de poder, servem para mistificar, para manipular, mas servem sobretudo para sustentar um ideal falso na pessoa do preconceituoso, ideal acerca de si mesmo, um ideal de “superioridade”, sem o qual os preconceitos seriam eliminados porque perderiam, aí sim, a sua função fundante. Ainda que sejam psicológicos e não lógicos, daí a aparência de irracionalidade, os preconceitos funcionam a partir de uma lógica binária, bem simples, uma espécie de “lógica da identidade”, mas em um sentido muito elementar, a lógica da medida que reduz tudo, seja a vida, as culturas, as sociedades, as pessoas, ao parâmetro “superior-inferior”. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Cult.

O gênero negro: apontamentos sobre gênero, feminismo e negritude

Por Danubia de Andrade Fernandes - Neste artigo, apresento uma revisão teórica do conceito de gênero à luz dos estudos raciais. Isto significa que os preceitos que estabeleceram importantes teorias feministas são conjugados às perspectivas raciais para entender a dupla alteridade da mulher negra. Este texto busca dar visibilidade às análises históricas e filosóficas construídas por feministas pioneiras no Brasil e nos Estados Unidos. Antes de avançar na análise da dupla alteridade da mulher negra, gostaria de destacar um dos marcos teóricos deste estudo: a perspectiva de Immanuel Wallerstein (1997), de que há um acoplamento das ideologias do universalismo, do sexismo e do racismo no mundo moderno. Embora estas ideologias sejam, à primeira vista, incompatíveis, segundo este autor, estão em uma relação de simbiose que garante a submissão do Outro. Aparentemente, o sistema meritocrático do universalismo moderno não é coerente com as práticas discriminatórias do racismo e do machismo. Não obstante, a desvalorização do Outro que não conduz à morte, mas a um quadro permanente de inferioridade, é a base do sistema capitalista, pois assegura a exploração do sujeito considerado de segunda classe. Deste modo, negras e negros, bem como mulheres de todas as cores e outros grupos minoritários são destinados às funções mais precárias da vida laboral das sociedades. O capitalismo ratifica suas supostas inferioridades e incompletudes para alojá-los em um ciclo de exploração permanente que sustenta o próprio sistema de produção. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Estudos Feministas, vol.24, n.3, Florianópolis, setembro-dezembro/2016.

Lia Vainer Schucman: Sobre nomear-se Branco

Hoje olhando os comentários de um post do Leandro Karnal encontrei um comentário (https://www.facebook.com/prof.leandrokarnal/posts/1786198864955811) em que ele respondia a alguém que havia chamado ele de branco o seguinte: “Não sou branco, sou meio bege, em alguns lugares mais rosa.” Sem querer entrar no mérito da coloração da pele, ou se foi apenas uma brincadeira ou forma lúdica de responder as questões tensas de nossa hierarquia racial lí aquilo e me perguntei: Este cara não é um desavisado sobre as relações raciais brasileiras, sabe muito bem das hierarquias raciais, de classe e de gênero (inclusive fala muito bem sobre elas publicamente) , e sabe também que dentro delas ele esta em um lugar de conforto. Então qual a intenção de despolitizar o debate que o movimento negro tem feito sobre os lugares raciais brasileiros? Logo lembrei de uma passagem da minha pesquisa de doutorado sobre branquitude que acabei relatando na tese quando um conhecido me perguntou o que eu estudava. Respondi em linhas gerais que estudava branquitude e que isto significava entender o que era ser branco no Brasil. Justifiquei rapidamente o motivo de minha pesquisa, explicando que no Brasil os estudos sobre racismo eram, em grande parte, feitos com as vítimas do racismo, e que era necessário também entender os protagonistas de atitudes racistas. Leia o artigo na íntegra. Zelinda Barros | Fonte: Lia Vainer Schucman.

Stuart Hall e as questões étnico-raciais no Brasil: cultura, representações e identidades

Maria Angélica Zubaran, Maria Lúcia Wortmann e Edgar Roberto Kirchof - O presente artigo aborda algumas das principais contribuições teóricas de StuartHall para a historiografia sobre o negro no Brasil e está dividido em três principais seções. Na primeira, há um breve balanço do percurso intelectual de Stuart Hall, juntamente com uma explanação sobre a centralidade da cultura no seu pensamento. Em seguida, considerando que o contexto histórico é sempre fundamental para as teorizações de Stuart Hall, é apresentado o cenário em que as questões étnico-raciais passaram a adquirir relevância no contexto brasileiro. Na última seção, por fim, apresentam-se as principais contribuições de Stuart Hall para as discussões sobre relações étnico-raciais e identidades negras no Brasil, a partir de alguns conceitos teóricos discutidos em seus textos, tais como raça, racismo, identidades, diáspora e representações racializadas. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Projeto História, PUC/SP, n. 56, 2016.

Stuart Hall: processos culturais identitários, as teorias feministas e a emergência da questão racial

O conceito identidade tem sobrevivido a várias crises conceituais, inclusive à chamada crise dos paradigmas. Não é possível pensar a práxis política nem a subjetividade individual sem acudir a esse conceito. O imigrante caribenho na Inglaterra Stuart Hall tenta uma atualização desse conceito, através do diálogo com as obras teóricas do feminismo, sobretudo de Judith Butler. Neste artigo, abordamos as reflexões do autor em torno das conseqüências, para o conceito de identidade, dos questionamentos, sobretudo aqueles procedentes do feminismo, sobre a formação das identidades e a negatividade das tendências totalizadoras e da busca das origens. No diálogo de Hall com outros autores, é possível perceber as contribuições das teóricas feministas para o desenvolvimento dos estudos sobre a questão racial e o racismo. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Projeto História, PUC/SP, n. 56, 2016.

Culturas Negras no currículo escolar: apresentando o Samba como possibilidade de resistência cultural

Por Antonio Cesar Lins Rodrigues - A presente pesquisa versa sobre a tematização das Culturas Negras no currículo escolar, analisando o papel das mesmas na contemplação das demandas multiculturais das atrizes e atores que compõem a escola contemporânea. Para tanto, se valeu do Samba enquanto manifestação cultural representante dessas culturas, atuando como possibilidade de resistência cultural dos grupos de estudantes da População Negra, marcados como diferença na escola. Por propor a participação dos atores atuantes na escola, no tocante à busca de soluções para os seus problemas dentro de uma dimensão de conscientização, tendo na práxis social o ponto de partida e chegada à construção/ressignificação do conhecimento, fazendo uso do ambiente natural como local de realização da pesquisa, lançou mão da pesquisa-ação enquanto método, empregando-se a descrição crítica associada à hermenêutica crítica como formas de análise. Buscou-se também trilhar esse caminho construtor de possibilidades a partir de práticas pedagógicas distantes do “daltonismo cultural”, seja esse a não consciencialização da diversidade cultural que nos rodeia em múltiplas situações, por se entender tal prática como “geradora de uma violência simbólica de imposição arbitrária de valores etnocentricamente estabelecidos como únicos aceitáveis”. Na tensão entre as relações de poder que envolvem a elaboração do currículo escolar, não seria imprudente mencionar as Culturas Negras como detentoras de um espaço ínfimo de representação, fato tal assegurador de uma ideia distorcida de População Negra na sociedade; mesmo sendo inegável que com a emergência da Constituição de 1988, principalmente no seu artigo 205, as escolas brasileiras tenham sofrido uma radical mudança na composição de suas atrizes a atores, acrescentando aos seus volumes humanos, por conta do mesmo, uma mais que considerável quantidade de estudantes negras e negros. Leia o Relatório de Pesquisa (Pós-Doutorado).

Feminismos brasileiros nas relações com o Estado. Contextos e incertezas

Por Lia Zanotta Machado - Este texto busca repensar as relações entre os feminismos brasileiros e o Estado. O diálogo e a tensão contínuos estão fundados na pauta feminista que não só supõe uma revolução cultural das subjetividades, como exige uma notável reforma/revolução política. Se, de um lado, o enfrentamento da violência contra as mulheres ganha fôlego, a pauta da educação pela igualdade de gênero e pela legalização do aborto sofre o que já se chamou de “backlash”. Trava-se um embate entre movimentos neoconservadores que buscam a imposição moral a toda sociedade e os movimentos feministas que buscam a ética da autonomia individual, da pluralidade e dos direitos sociais. As lutas feministas irromperam no Brasil, em grande parte, dependentes de sua participação na luta geral pela democracia, contra a ditadura e contra as desigualdades sociais, fortemente assentadas na organização de mulheres de esquerda e estreitamente articuladas com a defesa dos direitos à cidadania e à democracia. A movimentação feminista nos anos setenta tem nos seus primórdios a presença do intercâmbio internacional de ideias e proposições pela presença de mulheres exiladas em Paris, Berkeley e Santiago do Chile. Formam-se grupos de reflexão em torno de mulheres exiladas, escritoras, jovens universitárias, mulheres de origem partidária de esquerda. A irrupção do movimento se dava em momento em que ganhava espaço a possibilidade de segmentos de uma “sociedade civil” se articularem contra o “Estado”, então percebido e atuante como ditadura militar, desde 1964. Leia o artigo na íntegra. Terezinha Gonçalves | Fonte: Cadernos. Pagu, n.47, 2016.

A teoria social feminista e os homicídios: o desafio de pensar a violência letal contra as mulheres

Por Ana Paula Portella e José Luiz Ratton - A teoria social feminista propõe inúmeras formas de compreender a violência dos homens contra as mulheres em geral mas poucas formulações específicas sobre a violência letal contra as mulheres. Este artigo busca analisar como algumas das principais perspectivas no interior do pensamento feminista contemporâneo podem ser utilizadas para explicar os homicídios de mulhe-res. Alguns dos conceitos e argumentos mais relevantes relacionados ao tema e presentes no pensamento feminista são examinados e discutidos – violência de gênero, patriarcado, femicídio, terrorismo íntimo – com o intuito de identificar e explorar tanto suas possibilidades heurísticas quanto seus limites analíticos. Inicialmente o tema é abordado a partir das contribuições analíticas das principais vertentes do feminismo contemporâneo. Em seguida, trata-se de discutir as possibilidades e os limites da teorização feminista sobre o patriarcado e sobre o femicídio para a explicação dos homicídios de mulheres. Leia o artigo na íntegra. Fonte: ContemporâneaI v. 5, n. 1 p. 93-118, 2015.

Mulheres negras e (in)visibilidade: imaginários sobre a intersecção de raça e gênero no cinema brasileiro (1999-2009)

Por Conceição de Maria Ferreira Silva - Esta tese se propõe a investigar as inter-relações entre a cultura e o cinema brasileiro na construção e veiculação de imaginários sobre as mulheres negras, considerando a experiência histórica diferenciada e as estratégias de resistência feminina negra como possíveis elementos de mediação desses repertórios audiovisuais e seus regimes de visibilidade. Para isso, esta  pesquisa, a partir das contribuições dos estudos culturais, da crítica feminista, da teoria do cinema e do feminismo negro acerca da intersecção de gênero e raça, desenvolve a análise fílmica de três longas-metragens de ficção: Orfeu , de Cacá Diegues (1999),  Bendito fruto, de Sérgio Goldenberg (2004) e Besouro, de João Daniel Tikhomiroff.(2009). É realizado ainda o estudo de recepção de uma das produções desse corpus, por meio da aplicação do modelo codificação/decodificação de Stuart Hall em grupos de discussão, buscando articular a representação e a recepção fílmicas, âmbitos distintos mas interligados no circuito contínuo de produção de sentido. Leia a tese na íntegra. Fonte: UNB.

Reparações, direitos humanos e cidadania: uma gramática para o conflito racial no Brasil?

O livro tem algumas contribuições originais para o campo de estudo das relações raciais, especialmente no que toca à mobilização coletiva negra da última década.O primeiro êxito da pesquisadora foi seu recorte histórico. Concentrar sua investigação na primeira década do século XXI ofereceu uma perspectiva inovadora sobre o tema proposto. É fato que a literatura acadêmica brasileira, assim como as avaliações dos ativistas, mostraram enfaticamente a inflexão no debate sobre as questões étnico-raciais no Brasil após o processo da III Conferência contra o racismo, ocorrida na cidade sul-africana de Durban em 2001. Já era um consenso, entre nós pesquisadores brasileiros, que a conferência foi um grande divisor de águas para a política antirracista, sendo possível até mesmo falar de um Brasil antes e depois desse conclave mundial do início do milênio. Mas também é fato que essas mudanças ocorridas a partir da última década estão longe de possibilitar um diagnóstico de conjunto capaz de mostrar a complexidade das transformações em curso. Parte dessas mudanças pode ser atribuída às transformações culturais vivenciadas pela sociedade no que toca à questão racial; outra parte está diretamente relacionada à forma pela qual essa temática adentrou o espaço institucional. Leia a resenha na íntegra. Fonte: Plural, revista do programa de pós‑graduação em sociologia da USP, v.23.1, 2016.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lidianny Fonteles, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
Mídia Negra e Feminista no Facebook
 
site search by freefind
 
 
INSTITUIÇÃO  |  BOLETIM    |  PUBLICAÇÕES   |   GALERIAS   |   IMAGENS   |   PERSONALIDADES  |   FALE CONOSCO
Rua Professor Isaias Alves de Almeida 222, Ed. Chapada dos Guimarães, Sala-34B - Costa Azul / CEP: 41.760-120 / SalvadorBa Tels: (71) 9102-3139 - 3342-4707
This site is copyright © Instituto Búzios
By Designer Charles Santana 2009. Instituto Buzios