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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 155 FEVEREIRO 2018
Manifesto Internacional: Um Feminismo Para os 99% - As Mulheres Entrarão em Greve em 2018

[Foto: 8M São Paulo]

[Tradução de Camila Ribeiro] Em 8 de março, entraremos em greve contra violência de gênero – contra homens que cometem violência e contra o sistema que os protege. Ano passado, no 8 de março, nós, mulheres de todos os tipos, marchamos, paramos de trabalhar e tomamos as ruas em cinquenta países ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, nos manifestamos, marchamos, deixamos as louças para os homens em todas as grandes cidades desse país e em incontáveis cidades menores. A violência de gênero baseada em raça é internacional, como deve ser a campanha contra ela. O imperialismo norte-americano, militarismo e colonialismo fomentam misoginia ao redor do mundo. Não é uma coincidência que Harvey Weinstein, em seus longos anos tentando silenciar e aterrorizar mulheres, usou a empresa de segurança Black Cube, que é feita de ex-agentes do Mossad [Instituto para Inteligência e Operações Especiais do Estado de Israel] e de outras agências de inteligência de Israel. Nós sabemos que o mesmo estado que manda dinheiro a Israel para brutalizar a palestina Ahed Tamimi e sua família também financia as prisões em que mulheres afro-americanas como Sandra Bland e outras morreram. Linda Alcoff, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya, Rosa Clemente, Angela Davis, Zillah Eisenstein, Liza Featherstone, Nancy Fraser, Barbara Smith, Keeanga-Yamahtta Taylor. Leia o Manifesto na íntegra. Publicado originalmente em inglês: https://goo.gl/jWGCK7. Fonte: Blog Junho.

Clara Zetkin e a luta contra o fascismo

Por John Riddell e Mike Taber [tradução: Gleice Barros] - O artigo a seguir é uma introdução a recém-publicada coletânea Fighting Fascism: How to Struggle and How to Win da marxista alemã Clara Zetkin (Editora Haymarket Books, 2017. Raramente houve uma palavra tão discutida, e mal interpretada, quanto fascismo. Para muitos, o rótulo ‘fascismo’ é apenas um insulto direcionado a indivíduos e movimentos particularmente repugnantes e reacionários. É também costumeiro utilizar como uma descrição política de ditaduras militares de ultra-direita. O termo ganhou novo significado durante a campanha presidencial americana de 2016, em que o vencedor, Donald Trump, foi frequentemente comparado a Benito Mussolini e outros líderes fascistas. “Comparações fascistas não são novas na política americana” declarou o New York Times em maio de 2016. “Mas com o Sr. Trump, tais comparações têm atingido outros limites e entrado em grandes debates sobre os Estados Unidos e o exterior”. O povo trabalhador e pobre tem várias razões para temer o racismo endêmico, a abolição de direitos trabalhistas e civis, a repressão brutal e o genocídio que caracterizam o fascismo. Este curto livro contendo uma declaração e resolução de Clara Zetkin por ocasião do Comitê Central da Internacional Comunista em 1923 apresenta uma análise do facismo, fruto de grande pesquisa do que foi, à época, algo completamente novo no cenário internacional. Leia a matéria completa. Fonte: Esquerda Online.

A onda conservadora e o risco de uma 'nova normalidade'

Por Reginaldo Moraes - Estamos diante de uma mudança de regime. Está aberto o caminho do medo e da 'normalidade' ultraconservadora. Vai vingar? Depende de muita coisa, principalmente da percepção e da reação das vítimas. O fenômeno central dos últimos tempos não foi o avanço da direita no terreno institucional - partidos, eleições. O eleitorado da direita, por exemplo, é fiel mas relativamente o mesmo, cresce um pouco ali, diminui acolá, mas flutua em torno do mesmo nível. O que talvez tenha crescido mais do que a média foi a disseminação da apatia, da indiferença, da desmobilização, do “tanto faz!”. Isso foi a troca relevante, mais do que vitórias da direita em eleições, por exemplo. Com esse movimento lento e quase imperceptível, tão homeopático que quase não percebemos, enraizou-se a hegemonia das ideias, valores e comportamentos conservadores. Não nos iludamos, os fascismos não preservam nada que tenha cheiro de democracia, progressismo. Nem cheiro. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Carta Maior.

Grilagem judicial: Vale das Cancelas-MG

Por Jessica Mota - Em uma luta contra a fome, a miséria e a seca, moradores do Vale das Cancelas, em Minas Gerais, decidiram iniciar a retomada das suas terras. Famílias que viviam nas chamadas “terras livres” lutam para retomar áreas que foram judicialmente apropriadas por fazendas. A prática de falsificar documentos e processos para transformar terras públicas em privadas, identificada no local pela pesquisadora Sandra Gonçalves Costa, da Universidade de São Paulo, remonta as décadas de 1920 e 1930. Foi quando elites locais, com acesso ao aparato jurídico e burocrático da recém-criada República brasileira, começaram a titular como privadas as “terras livres” dos Gerais. A prática se estendeu pelo século seguinte. A pesquisadora identificou mais de 1 milhão de hectares de terras públicas que se tornaram privadas. Em inquérito civil, o Ministério Público Federal aponta apropriação privada de terras públicas de uso das comunidades geraizeiras a cinco empresas: a Florestas Rio Doce, a Norflor Empreendimentos Agrícolas, a Floresta Minas Reflorestamento e a Rio Rancho Agropecuária. A apropriação também é identificada em projetos de mineração. Leia a matéria completa. Fonte: ONG Reportér Brasil.

Universidade no Brasil: colonialismo, colonialidade e descolonização numa perspectiva negra

Por Nádia Maria Cardoso da Silva - Apresentamos o ensino superior brasileiro como criação que fortalece o colonialismo português no Brasil e a universidade brasileira, surgida na década de 1920, como lugar de produção de conhecimento a partir da colonialidade de poder/saber sobre negros, negras e indígenas, sustentando o eurocentrismo e consolidando o racismo/sexismo epistêmico. No século XXI, os Movimentos Negros desafiam a universidade brasileira a enfrentar tais desafios através da descolonização do conhecimento acadêmico, pois, ainda que estejam adotando políticas de ampliação do acesso dos negros e negras, encaram dificuldades para operar mudanças epistemológicas que enfrentem o silenciamento epistêmico de intelectuais negros e negras. A partir da perspectiva decolonial latino-americana, visibilizamos a experiência de alguns intelectuais negros e negras como estratégia de combate ao racismo/sexismo epistêmico no Brasil. Partimos da constatação do quanto o conhecimento acadêmico no Brasil é um forte traço da permanência da colonialidade de poderes na sociedade pós-colonial brasileira, entendida, como um contexto de pós-independência, no qual as elites branco-mestiças mantêm intactas as hierarquias raciais sobre negros e indígenas, ou seja, um cenário de independência sem descolonização. Isso parece sugerir que para o Brasil passar da fase da pós-independência para a “descolonização”, é estratégico a “descolonização” da universidade, criada nesse contexto. Leia o artigo na íntegra. Zelinda Barros | Fonte: Revista Artes de Educar, v. 3, n.3, 2017.

Práticas epistêmicas na educação para as relacões Étnico-raciais. Refletindo interfaces e princípios

Por Rosângela Malachias - Em pesquisa de pós-doc intitulada “Epistemologia Afrobrasileira na Interface Comunicação e Educação”, focamos a interface entre os campos Comunicação e Educação, revendo a biografia e produção teórica de intelectuais, jornalistas, cientistas sociais e ativistas negros(as), como José Correia Leite (1900-1989); Antonieta de Barros (1901-1952), Abdias do Nascimento (1914- 2011), Lélia Gonzalez (1935-1994) e outros(as), que não compõem os cursos de Comunicação, permanecendo silenciados nos currículos institucionalizados. No que se refere à prática pedagógica, as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Étnico-racial (DCNEER) e para o Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Africana (BRASIL, 2004) contribuem para abrir e iluminar os caminhos que levem a uma formação docente contínua e estruturada por três princípios: (1) consciência histórica e política da diversidade; (2) fortalecimento das identidades e (3) direitos, ações educativas de combate ao racismo e a discriminações. Embora direcionadas à Educação Básica, as Diretrizes podem orientar práticas pedagógicas do Ensino Superior. Nelas, o legado deixado pelas populações negras na diáspora – quando analisado sob óticas transversais, interdisciplinares e transdisciplinares – apresenta-se como resultado do protagonismo, pioneirismo e criação de métodos transculturais. Nesse sentido, educar para as relações étnico-raciais implica considerar quatro séculos e meio de regime escravista e a ação do colonialismo europeu como paradigma civilizatório respaldado pelas múltiplas formas de apagamento dos saberes de origem indígena e africana. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Repertório, n.29, 2017.

A tradição oral para povos africanos e afrobrasileiros: relevância da palavra

Eudaldo Francisco dos Santos Filho e Janaína Bastos Alves - O presente trabalho é uma breve reflexão teórica sobre as tradições orais constituintes dos povos africanos e sua instituição entre os afrobrasileiros, com intento de conhecer sua manifestação e propagação entre tais grupos étnicos.  Por ser a oralidade uma ação significativa para a população africana, concebemos relevante refletir sobre sua utilização na preservação e difusão do legado da África, bem como perceber sua instituição no Brasil com a chegada dos africanos. Utilizando uma abordagem genérica sobre o continente devido sua extensão, diversidade e riqueza tratamos de identificar a oralidade como método de transmissão de conhecimento. Portanto, trata-se de uma investigação sintética a respeito das tradições orais oriundas da África e seu estabelecimento em solo brasileiro, fundindo as duas culturas, e presente também nas religiões de matriz africana, como por exemplo, o Candomblé. Conferimos com isto a relevância da palavra dita para estes povos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista da ABPN, v. 9, Edição Especial, dezembro 2017.

Feminismos interseccional e da reprodução social: rumo a uma ontologia integrativa

Por Susan Ferguson - Em sua busca por capturar a natureza contraditória e constituída por muitas camadas das subjetividades e das posições sociais através de uma perspectiva que insiste no caráter dinâmico e complexo do social, o feminismo interseccional tem inspirado as feministas marxistas a levar o feminismo da reprodução social para além da preocupação estreita das relações gênero/classe. Ainda assim, mesmo suas articulações politicamente mais radicais, não alcançam uma teorização completa da lógica integrativa que defendem. Esse artigo explora as raízes dessa teorização insuficiente, e sugere que ao compreender o social como constituído pela atividade humana prática cujo objeto (o mundo social e natural) é organizado de maneira capitalista, o feminismo da reprodução social ressalta a relação dialética entre o todo capitalista e suas diferentes partes. O desafio para o feminismo marxista é adotar esta abordagem dialética apoiando-se nos insights do feminismo interseccional para capturar de maneira mais convincente a unidade de um todo social complexo e diverso. Desde as primeiras formulações do feminismo interseccional, críticos e apoiadores questionaram a coerência do quadro teórico – apontando a difi culdade de teorizar as maneiras em que diferentes relações parciais de gênero, raça, sexualidade, e assim por diante, abrangem um todo integral unifi cado. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Cadernos Cemarx, n.10, 2017, IFCH-Unicamp.

O estado de sujeição da mulher como um discurso de consentimento para crimes e violência de gênero

Por Tamires Marinho - Ao se examinar as estruturas que fundamentam relações de desigualdade e até de barbáries cometidas contra minorias, sejam, justificadas devido a sua etnia, gênero, classe ou religião, o que se observa é uma tendência de desumanizar o sujeito através de práticas discursivas, como se direitos simples, defendidos desde o contrato social de John Locke não se aplicassem a eles, e, assim sendo, qualquer atitude reguladora seria perfeitamente justificável. Portanto, para compreender como ocorreu o consentimento da sociedade para crimes e violência contra a mulher, é imprescindível o entendimento de certos pressupostos que estruturam as relações de poder e submissão entre o homem e a mulher. "Simone Beauvoir sublinha que o estado de sujeição da mulher ocorre exatamente no momento que se passa a ter consciência da propriedade privada. Ocorreu assim um processo de coisificação, onde a mulher deixa de ser indivíduo e se torna também propriedade do pai ou do marido, assim como a terra, os filhos, os animais e os escravos. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Blogueiras Feministas.

Feminismo contemporâneo: como ativistas de São Paulo compreendem uma terceira onda do movimento no país

Por Keli Rocha Silva Mota - O artigo procura entender as particularidades da luta feminista atual em relação às ondas anteriores e se isso permite afirmar a existência de um novo momento histórico, social e cultural no país. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com três militantes da Capital paulista acerca do tema. A partir da análise realizada, é possível afirmar a existência de novos tipos de organizações feministas, que são marcadas por uma participação horizontal e lideradas por um perfil cada vez mais jovem, que tem ao seu dispor os meios tecnológicos de comunicação. As manifestações mais intensas e organizadas surgem em torno do propósito de apontar as diferenças de gênero e subverter as relações impostas. Ou seja, “a reivindicação de direitos nasce do descompasso entre a afirmação dos princípios universais de igualdade e as realidades da divisão desigual dos poderes entre homens e mulheres” (Fougeyrollas‐Schwebel). Contudo, como afirma Camilla Siqueira “não se pode ignorar que, dentro de uma mesma onda, conviveram movimentos feministas com demandas bem diversificadas”. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Extraprensa, v. 11, n.1, 2017.

Entrevista: historiadora Joana Maria Pedro

Por Maria Adaiza Lima Gomes - Conhecida pelos seus inúmeros trabalhos na área dos estudos de gênero, a historiadora Joana Maria Pedro é, atualmente, professora titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na graduação em História, no Programa de Pós-Graduação em História, e no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas desta Universidade. Hoje, além do trabalho realizado em sala de aula, a professora é presidenta da Associação Nacional de História (ANPUH) e pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC. Suas pesquisas têm ênfase em História do Brasil República, contemplando principalmente as temáticas referentes aos feminismos, ás relações de gênero, à história das mulheres, à memória, à história oral, à história do tempo presente e à história comparativa. Leia a entrevista na íntegra. Fonte: Revista de História Bilros, v.5, n.10, 2017.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Kenia Silva, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Marcelo Gonzaga, Juciene Santos, Elenice Semini.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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