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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
INFORME Nº 158 MAIO 2018
Por uma revolução antirracista: uma antologia de textos dos Panteras Negras

Organização, tradução, introdução e notas por Henrique Marques Samyn, edição do autor, 2018 – Todos os artigos traduzidos nesta antologia e todas as imagens nela reproduzidas foram previamente divulgados em The Black Panther. “Concebi esta antologia como apenas um ponto de partida para pessoas interessadas no pensamento e nas estratégias políticas dos Panteras Negras, com ênfase no período entre 1968 e 1971 – o período que Ollie Johnson qualifica como os “anos de glória”, ao longo dos quais o grupo nascido na comunidade negra californiana chega  a todas as grandes cidades dos  Estados Unidos, antes das cisões internas e da “desradicalização” que levariam o Partido a concentrar investimentos no campo da política eleitoral. Em setembro de 1966, considerando que chegara momento de criar uma nova organização, Bobby Seale e Huey Newton se entregaram a essa tarefa no Centro de Serviços de North Oakland, onde trabalhavam. No escritório de assistência jurídica, Huey encontrou a legislação da Suprema Corte da Califórnia, que determinava que todos os cidadãos tinham o direito de acompanhar a atuação dos policiais; Bobby resgatou Declaração de Independência dos Estados Unidos, da qual os dois parágrafos iniciais seriam aproveitados na primeira redação de um programa que sintetizaria as demandas e ideais da entidade. O Programa de Dez Pontos, na verdade, foi composto por Huey, com sugestões de Bobby: um programa feito para o povo, que o povo pudesse entender, ler e ver; que não deixasse de ter um sentido filosófico, mas que fosse compreensível – não “um monte de merda esotérica”. Assim foi fundado o Partido Pantera Negra para Autodefesa, em 15 ou 22 de outubro de 1966”. Leia a antologia na íntegra. Marcos Dias Coelho | Fonte: Henrique Marques Samyn.

A sociedade dos fascistas de bem

Por Katarina Peixoto - Tem muita gente com certeza a respeito da própria bondade e bom caráter, que acredita que estamos em uma democracia. Para muitos, enquanto não houver OBan e DOPS, não há ditadura. Um juízo generoso sobre essas crenças depende da atribuição de ignorância e ou de uma certa complacência quanto às próprias certezas sobre si mesmos. Está claro que os fascistas são ignorantes. Fascismo é isto: uma grande ignorância irascível, mortal, organizada militarmente e inimiga de toda institucionalidade. O que muita gente não vê ou se recusa a ver, é que não estamos diante da violência estatal, transmutada em golpistas clássicos, fardados, vociferando as imbecilidades paranoides de sempre. O processo de desestabilização brasileiro começou e depende do veneno na sociedade, da paranoia insidiosa e da mentira. Com esse expediente, as famílias midiáticas cevaram o ódio que se alastra, armado, com a certeza psicótica de que estão a extirpar um furúnculo, enquanto disseminam uma septicemia. A justiça do inimigo disseminou censura, paranoia, perseguições, demissões, crise política e agravamento da crise econômica. Só entregam miséria moral, violência, impunidade e falta de perspectiva. Ruíram com o arcabouço constitucional e comandam um governo sem voto, sem apoio, sem legitimidade, que acredita se sustentar nos seus canais de propaganda televisivos e radiofônicos. Está em curso uma guerra suja. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Jornal GGN.

Um novo feminismo ou um feminismo que se radicaliza?

Por Mary Garcia Castro - É comum na literatura feminista, em especial sobre a América Latina, recorrer para discutir trajetórias, à figura de ondas, ou seja, tendências que em tempos específicos seriam mais destacadas, o que não necessariamente implicaria em abandonar mares navegados em tempos anteriores. Carla Rodrigues (2018) bem reflete sobre a propriedade e limites de tal forma de pensar o feminismo, considerando fluxos e refluxos de orientações políticas, mas advertindo que não há que pensar em ondas como um começar de novo, “porque ondas varrem do solo as marcas do passado” ou como modas. O direito à igualdade, em especial de oportunidades em distintas dimensões, como nas cidadanias política, civil e social são, por exemplo, bandeiras agitadas por feministas históricas desde o século XIX (ver Goldman, 2014), reavivadas em 1975 no Congresso promovido pela ONU, sobre diretos das mulheres, no México, mas que também estavam na agenda feminista do Congresso sobre direitos das mulheres em Beijing, 1995, quando uma segunda onda mais se firmava, o direito à diferença e ênfase em direitos sexuais e reprodutivos. Defendo que há sim algo novo, no feminismo, ou melhor renovado, que seria insistir em ganhar as ruas, e tentar mais radicalidade, brigando contra distintos poderes, em especial entronados no golpe (2015) ainda que velhas rixas político-partidárias ou apartidárias se reproduzam. A mobilização de jovens mulheres e homens, nas redes e nas ruas, sugere resistências diversas, alinhadas à crítica da biopolítica, ou seja, um capitalismo que sequestra corpos, realiza-se por asujeitamentos do corpo, da sexualidades e discriminações segundo inscrições étnicoraciais, além da exploração básica à clássica luta de classe no terreno da economia. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Mátria, 2018, Encarte Teórico, CNTE.

Elas vão hackear o mundo

As hackers feministas fazem do ativismo digital um instrumento para promover a igualdade e buscar impactos para além do mundo virtual. O poder de quem codifica não se limita a interferir na internet, há a possibilidade de recriá-la. A capacidade das hackers de construir novas ferramentas, adaptar programas já existentes e desenhar maneiras diferentes de comunicação e difusão de informação criaram o ambiente perfeito para a inserção do feminismo no ativismo digital, o ciberfeminismo. Reconhecendo que as redes sociais e sites foram criados por homens dentro de multinacionais, as redes de código fechado reproduzem o discurso machista e criam reações contrárias às desejadas pelas ciberfeministas. O objetivo é que as mulheres programem suas próprias regras e criem redes sociais seguras para discussão e troca de informação, que gerem conhecimento através de códigos. O lema é claro: “Hackeando o patriarcado”. Conheça minas que promovem o empoderamento feminino através da tecnologia e usam o poder dos códigos para reinventar a internet e o mundo à sua volta. Leia a matéria completa. Fonte: Revista TPM.

Immanuel Wallerstein: assim 1968 começou

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Inês Castilho - Uma semana antes de Paris, revolta global eclodiu em Columbia. Participante ativo, o grande sociólogo faz seu relato pessoal — e frisa a decisiva participação dos negros. O dia 23 de abril de 2018 marca o 50º aniversário do levante estudantil na Universidade Columbia, em 1968. Visto que me envolvi de várias maneiras nos acontecimentos, quero oferecer um testemunho sobre o que aconteceu e quais me parecem hoje as mais importantes lições a extrair. Na verdade, Columbia antecede Paris em uma semana, como costumo lembrar a meus amigos franceses, e é uma data melhor para marcar as celebrações das mobilizações de 1968. O SDS havia pontuado seis demandas. Duas eram cruciais: a primeira, que Columbia devia se desfiliasse do Instituto para Análises de Defesa, um dos pilares do envolvimento dos EUA no Vietnã. A segunda, que Columbia interrompesse a construção de um novo ginásio no Parque Morningside, cujo terreno era considerado por direito da comunidade negra do Harlem, despejada pela Universidade Columbia. O dia começou ao meio-dia num lugar tradicional de discursos públicos em Columbia. Houve discursos do SDS e da Sociedade de Estudantes Afro-Americanos (SAS, na sigla em inglês). Leia o artigo na íntegra. Fonte: Outras Palavras.

Empoderamento: serve para quem?

Por Jaque Conceição - O conceito de empoderamento, aparece pela primeira vez nos estudos sobre feminismo, no final dos anos 70, na literatura interseccional nos Estados Unidos. Na definição em inglês empowerment, é o acesso de pessoas aos espaços de poder, afim de que elas possam tomar decisões nas esferas de direção e mudança, impactando a vida de outras pessoas, que continuam na posição de subalternas. É refluxo das lutas por direitos civis, e do processo de inclusão das minorias políticas nos altos cargos das corporações norte americanas. Quando esse conceito, é incorporado as lutas sociais, propõe-se a inclusão de mulheres negras, por exemplo, nas esferas de decisão políticas dos espaços coletivos. A mudança das estruturas acontecem, quando a base se movimenta. Na sociedade moderna de base capitalista, no ocidente, quem é a base da estrutura? As mulheres negras. São as mulheres negras que compõe a base da pirâmide social, ocupando os piores rankings no que diz respeito aos dados sociais econômicos e de violência. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Coletivo Di Jeje.

A categoria do Outro: o olhar de Beauvoir e Grada Kilomba sobre ser mulher

Por Djamila Ribeiro - Tomando como ponto de partida a dialética do senhor e do escravo de Hegel, Beauvoir cunhará o conceito de Outro. Segundo o diagnóstico de Beauvoir, a relação que os homens mantêm com as mulheres é esta: da submissão e dominação. As mulheres estariam enredadas na má fé dos homens que a veem e a querem como um objeto. Beauvoir mostra em seu percurso filosófico sobre a categoria de gênero que a mulher não é definida em si mesma, mas em relação ao homem e através do olhar do homem. Olhar este que a confina num papel de submissão que comporta significações hierarquizadas dadas à mulher através deste olhar masculino. Este olhar funda a categoria do Outro beauvoriano. Beauvoir explica que esta categoria do outro é antiga e comum, segundo a filósofa, nas mais antigas mitologias e sociedades primitivas já se encontravam presente uma dualidade: a do Mesmo e a do Outro. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Boitempo.

O Resgate das Ciências Humanas e das Humanidades através de Perspectivas Africanas

A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) fez a tradução para o português, em quatro volumes, de Reclaiming the Human Sciences and Humanities Through African Perspectives (O Resgate das Ciências Humanas e das Humanidades através de Perspectivas Africanas). Publicada em 2012, a obra original reúne mais de oitenta textos, inéditos em nossa língua, alguns verdadeiros clássicos contemporâneos escritos nos anos setenta por ideólogos da descolonização e da emancipação intelectual da África. Em seu conjunto, os autores apresentam interpretação dos desafios e questões com que se deparam os povos africanos de uma perspectiva própria, ainda pouco conhecida, que busca conjugar autonomia cultural com cidadania e desenvolvimento. Trata-se de um exercício essencialmente crítico de aspectos etnocêntricos e padrões conservadores do pensamento ocidental e de sua influência tanto sobre a realidade africana, quanto sobre a percepção dessa realidade. Faça o download da obra de forma gratuita. Eva Bahia | Fonte: Ivair Augusto Alves dos Santos.

Exposição Histórias Afro-Atlânticas: 29 de junho a 21 de outubo de 2018

Ao longo de todo o ano de 2018, o MASP dedica seu programa de exposições e atividades às histórias e narrativas afro-atlânticas. Essas histórias não se referem apenas ao período da escravidão, em que populações africanas foram retiradas à força de seu continente para serem escravizadas nas colônias europeias nas Américas e no Caribe, mas fala, sobretudo, dos “fluxos e refluxos”, usando a famosa expressão de Pierre Verger, entre esses povos atlânticos, desde o século 16 até a contemporaneidade. A exposição coletiva Histórias afro-atlânticas reúne, em iniciativa inédita, duas das principais instituições culturais de São Paulo: o MASP e o Instituto Tomie Ohtake. Trata-se de um desdobramento da exposição Histórias mestiças, realizada em 2014, no Instituto Tomie Ohtake, por Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, que também assinam a curadoria desta nova mostra, junto com Ayrson Heráclito e Hélio Menezes, curadores convidados, e Tomás Toledo, curador assistente. Histórias afro-atlânticas apresenta cerca de 400 obras de mais de 200 artistas, tanto do acervo do MASP, quanto de coleções brasileiras e internacionais. Os empréstimos foram cedidos por algumas das principais coleções particulares, museus e instituições culturais do mundo. Entre elas, destacam-se: Metropolitan Museum, Nova York, J. Paul Getty Museum, Los Angeles, National Gallery of Art, Washington, Menil Collection, Houston, Galleria degli Uffizi, Florença, Musée du quai Branly, Paris, National Portrait Gallery, Londres, Victoria and Albert Museum, Londres, National Gallery of Denmark (SMK), Copenhague, Museo Nacional de Bellas Artes de La Habana e National Gallery of Jamaica. Leia a matéria completa. Fonte: MASP.

Livro | The underground railroad: os caminhos para a liberdade

Milhares de páginas foram escritas em quase dois séculos para contar histórias de sofrimento e de fuga de escravos nos Estados Unidos. Essa tradição ganhou mais um título de peso, com o livro The underground railroad: os caminhos para a liberdade, do escritor norte-americano Colson Whitehead, prêmio Pulitzer no ano passado, foi lançado no Brasil pelo braço local da editora Harper Collins. Autor que se tornou fenômeno literário em 1999 com a publicação de seu romance de estreia “A Intuicionista” (lançado em 2001 no Brasil pela Companhia das Letras), Whitehead tem sua própria maneira de retratar essa ferrovia da liberdade. Ao recriar a história do "underground railroad" (uma rede de rotas clandestinas existente nos Estados Unidos durante os séculos 18 e 19, que era usada para a fuga de escravos do Sul para os estados do Norte ou para o Canadá) o autor usa a força da ficção para reatualizar o tema. Whitehead inova ao retomar a saga do escravo fugido, mas dando a ela um tom de realismo fantástico. A rede de colaboradores que permitia a fuga de escravos torna-se, em seu livro, uma linha férrea real, por onde desfilam todas as mazelas, preconceitos e riquezas da história dos Estados Unidos. O livro em português está disponível nos sites Estante Virtual, Amazon, Saraiva, e Cultura. Leia a matéria completa. Fonte: Blog Leitores Semfim.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Erica Larusa, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Juciene Santos, Larissa Almeida, Tom França.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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