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MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
ANO XIV - Nº 167 FEVEREIRO 2019
Pautando a igualdade racial na agenda global de direitos humanos

E. Tendayi Achiume - Este ensaio busca colocar a igualdade racial no centro da agenda de direitos humanos. Para tanto, remediar esse estado das coisas requer incutir um compromisso substantivo com a igualdade racial na agenda global de direitos humanos. Requer priorizar uma abordagem interseccional e estrutural para a discriminação racial e levar a sério o papel das comunidades de cor e seus representantes não só na luta contra a desigualdade racial, mas também na definição da natureza dos direitos humanos. A ascensão e disseminação do populismo nacionalista de direita em todo o mundo desencadeou de forma franca e aberta discursos e práticas públicas de racismo, xenofobia, misoginia e outras formas de intolerância.1 Hoje, líderes que ocupam até mesmo cargos políticos do mais alto nível em países que há muito se consideravam a vanguarda da democracia constitucional liberal professam abertamente concepções racistas e xenofóbicas ao mesmo tempo em que adotam políticas que as consolidam. As organizações de direitos humanos e outras continuam documentando o aumento de crimes e outros incidentes motivados por intolerância racial, étnica, religiosa e correlata e têm feito um trabalho importante para denunciar as violações de direitos humanos desse tipo. Os mecanismos e atores dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) também assumiram uma posição pública para reafirmar os princípios de igualdade e dignidade na esteira de incidentes flagrantes de manifestação racista e xenófoba. Muitas organizações e movimentos de base, como o Movimento Feminista Negro no Brasil, estão engajados em lutas diárias para levar a igualdade racial de objeto de negligência a uma das prioridades na agenda dos direitos humanos. No entanto, minha experiência em diferentes fóruns globais de direitos humanos (e seus salões de poder) mostra que essas organizações de base são geralmente excluídas, especialmente quando chega a hora de tomar decisões. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Sur Revista Internacional de Direitos Humanos, nº 28, Conectas, dez 2018.

Algumas reflexões sobre o modelo científico africano

Por Érica Larusa - Os povos do continente africano, os africanos em diáspora no Brasil e no mundo, construíram ao longo da história uma forma própria de produzir conhecimento. A metalurgia, a matemática, a engenharia, a arquitetura e a medicina por exemplo, já eram praticadas em toda a África muito antes do período colonial. Os Dogons do Mali, por exemplo, que vivem na África Ocidental ao leste do Rio Níger, são reconhecidos por sua cosmologia precisa em relação ao universo. Os Dogons, têm um conhecimento avançado de astronomia e astrologia e uma mitologia complexa sobre a existência humana na Terra. De acordo com o professor Carlos Machado em seu livro Gênios da Humanidade: Ciência, tecnologia, e Inovação africana e afrodescendente, este povo projetou a trajetória de Sirius B (satélite da estrela Sirius) até o ano de 1990. Apenas em 1970, a astronomia europeia conseguiu fabricar telescópios bons o suficiente para aumentar o zoom em Sirius e finalmente fotografar Sirius B. Verificaram então, a semelhança entre seus gráficos e os gráficos feitos pelos Dogons para representar a trajetória deste satélite. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Instituto Búzios.

Do universal ao especifico: entrelaçando gênero, raça e classe

Por Daniele Motta - A presente carta dialoga com algumas ideias de Karl Marx e do marxismo para fazer alguns questionamentos referentes às perspectivas de gênero e de raça. A partir da experiência pessoal da autora, de uma leitura da formação social brasileira e de uma leitura terceiro-mundista, a argumentação traz esses questionamentos no intuito de contribuir para a formação de uma perspectiva analítica da imbricação de gênero, raça e classe que leve em consideração o método histórico de Marx e suas contribuições para a compreensão da sociedade capitalista. Dessa forma, a intenção da carta é levantar também aspectos das especifcidades do desenvolvimento do capitalismo no Brasil, com base em uma leitura interseccional constituída no âmbito das perspectivas metodológicas presentes na teoria feminista contemporânea e, com isso, traçar um diálogo com Marx, refletindo de que maneira suas contribuições ainda hoje são relevantes para a análise das relações sociais. Faço recurso a uma teórica chamada Avtar Brah para apresentar a concepção de desigualdade na diferença, justamente para tentar amarrar as hierarquias sociais (que são de diferentes naturezas, inclusive se modificam no tempo e no espaço) com a exploração capitalista. Para ela “Estruturas de classe, racismo, gênero e sexualidade não podem ser tratadas como ‘variáveis independentes’ porque a opressão de cada uma está inscrita dentro da outra – é constituída pela outra e é constitutiva dela”. Tais variáveis têm origens diferentes e se articulam de maneiras especificas a partir das condições históricas. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Cadernos Cemarx, n. 11, 2018, IFCH – Unicamp.

Intelectuais africanos e pan-africanismo: uma narrativa pós-colonial

Por Gustavo de Andrade Durão - O presente artigo analisa algumas perspectivas do conceito de pan-africanismo com o intuito de ilustrar as movimentações dos escritores pan-africanos como modo de refletir brevemente o contexto de um debate pós-colonial, iniciado por eles. Seguindo apreciações de estudiosos preocupados com os temas da négritude, da solidariedade negra e da contestação à ordem colonial é possível mapear as manifestações de pensadores através dos quais se compreende os conceitos de cultura e unidade, elementos-chave para essa análise. Apesar da diversidade dos espaços nacionais, escritores afro-americanos e africanos foram responsáveis pelo surgimento da ideia e do conceito de pan-africanismo, bem como pela luta por direito dos povos negros a variadas esferas da vida política. Abordando análises importantes de pensadores como Edward Blyden, Marcus Garvey e W.E.B. DuBois, Léopold Senghor e Kwame Nkrumah há uma possibilidade de se delinear perspectivas teóricas pelas quais tais pensadores se debruçaram para constituir as definições do pan-africano e do pós-colonial, um debate ainda hoje importante para a historiografia atual. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Revista Tempo e Argumento, v. 10, n. 25, 2018, UDESC.

Roteiro da resistência

Por Silvio Caccia Bava – Vivemos um momento de rupturas. Não se trata apenas de uma mudança de governo; é uma mudança no regime político e talvez a abertura de um novo ciclo histórico. O capitalismo global, dominado pelas instituições financeiras, fortalece as direitas autoritárias em todo o mundo e impõe um novo padrão predatório de exploração dos trabalhadores e do meio ambiente que não comporta regimes democráticos e instituições reguladoras que limitem sua voracidade. De um período de uma democracia ainda precária, em construção, com pesadas heranças do período autoritário, mas com algumas importantes iniciativas de redução da pobreza e de inclusão social, vivemos hoje uma ruptura democrática: passamos a uma democracia tutelada pelos militares, um Estado policial, violento e repressor, disposto a aprofundar a espoliação das maiorias e calar o dissenso. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil.

Black Lives Matter: o uso de dispositivos móveis no registro, denúncia e mobilização contra a violência racial nos Estados Unidos

Talita Guimarães da Silva e Tarcísio Torres Silva - Apesar dos avanços da luta negra das últimas décadas, a violência contra negros nos Estados Unidos é ainda um fato recorrente naquele país. Se até pouco tempo esses casos se restringiam a relatos e fotografias feitas após os crimes, agora, com os dispositivos móveis, há maiores possibilidades dos acontecimentos serem transmitidos ao vivo ou com diferença de minutos. Essa urgência pode estar relacionada à gravidade dos acontecimentos e à tentativa de registrar e divulgar em busca de maior defesa contra aquele que oprime. Nesse sentido, podemos refletir sobre que tipo de empoderamento é alcançado pelos usuários por meio da capacidade de registro de imagens desses equipamentos. Neste trabalho, abordaremos três mortes recentes que envolveram imagens e conflitos posteriores nos Estados Unidos. Selecionamos os casos de Alton Sterling, morto em Baton Rouge - Louisiana no dia 5 de julho de 2016; Philando Castile, morto em St. Anthony – Minnesota, no dia 6 de julho de 2016 e Keith Lamont Scott, morto em Charlotte, North Carolina no dia 20 de setembro de 2016. A escolha por falar da morte desses três negros norte-americanos se deu, em um primeiro momento, por essas mortes terem sido gravadas por smartphones, o que ressalta o lugar que esses aparelhos móveis têm ocupado na vida cotidiana. Esses dispositivos deixaram de ser somente ferramentas de comunicação oral, como os primeiros celulares, para tornarem-se complexas ferramentas que executam multitarefas e que nos servem como extensões de nossos corpos, sentidos e de nossa memória. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Aurora: revista de arte, mídia e política, v.11, n.33, out.2018-jan, 2019,  PUC-SP.

Livro “Embates em torno do Estado laico” [Download]

Resultados do Grupo de Trabalho (GT) Estado Laico da SBPC, o livro reúne textos de renomados cientistas, que apresentam o conceito de Estado laico, e debatem o impacto da não laicidade sobre a ciência, a política, o ensino, a saúde, as pesquisas biomédicas, a sexualidade e os direitos das mulheres, além de dois anexos: Declaração Universal sobre a laicidade no século XXI e textos indicados sobre a laicidade do Estado no Brasil, disponíveis na internet. Organização: Claudia Masini d’Avila-Levy e Luiz Antônio Cunha (coordenador do GT). Acesse e baixe aqui a publicação. Fonte: SBPC.

Mais de 600 meninas morrem vítimas de violência de gênero na América Latina

Casos sobre feminicídio infantil nos últimos seis anos provocaram comoção e manifestações em sete países.  Nos últimos seis anos, 614 meninas e adolescentes de sete países da América Latina foram mortas por serem do gênero feminino. Os assassinos — ou suspeitos, pois a maioria dos casos ainda não obteve sentença — não possuem perfil único. Frequentemente eram os próprios pais, mas há padrastos, tios, namorados, ex-namorados, irmãos, primos, outros parentes, vizinhos, amigos, conhecidos, estranhos. Qualquer um. Os dados também confirmam que a impunidade vai além da misoginia mortal contra menores. Ela envolve toda a violência de gênero estrutural na América Latina. Leia a matéria completa. Fonte: Agência Patrícia Galvão.

Retrospectiva da política sexual em 2018

O SPW publica uma retrospectiva dos principais eventos, tendências, descobertas e desafios à medida que iniciamos 2019 e nos preparamos para todas as lutas que ainda enfrentaremos juntos. No início de 2018, o movimento #MeToo (oficialmente lançado em 2007 pela feminista negra Tanara Burke) sobre assédio sexual surgiu pelas mídias sociais nos EUA, sacudindo todas as dimensões políticas – religião, artes, empresas etc – no que lançaria um dos principais temas do feminismo para o ano, mas não sem críticas. Cem feministas francesas assinaram um manifesto chamando a atenção para os seus efeitos colaterais e a concepção moralista do movimento. O SPW preparou uma ampla compilação nacional e internacional da repercussão do movimento. Em El Salvador, onde a criminalização do aborto é absoluta, Teodora del Carmen Vasquez foi libertada por decisão da Suprema Corte. Ela enfrentava uma sentença de 30 anos por ter sofrido um aborto espontâneo até que a apelação de sua defesa foi acolhida. O Protocolo de Santo Domingo, um instrumento fundamental para a promoção dos direitos das mulheres rurais, foi assinado durante a Consulta Regional para a América Latina e o Caribe, que precedeu a 62ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Condição da Mulher. Leia a retrospectiva completa. Fonte: SPW.

Jorge Santana: O surgimento das expressões racistas e o mito da democracia racial

A maioria dos negros brasileiros (72%) já ouviu a frase “seu cabelo parece bombril”, segundo um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva. Esta frase é uma injúria racial, prevista no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, que estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa. Esta, entre outras expressões racistas, tem uma explicação histórica e social que começou há mais de cinco séculos e que tem por objetivo oprimir, dominar e estigmatizar o povo negro. Entender o porquê de não as utilizar é mais um passo na luta contra o racismo. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Notícia Preta.

Guia de Luta Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo

Em janeiro de 2019, foi lançada a 2ª Edição do Guia de Luta Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo. A obra se tornou referência nos estudos sobre intolerância religiosa e racismo desde a sua 1ª edição, em 2008.   O material que reúne informações fundamentais que ilustram o contexto do cenário brasileiro é uma realização do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) em parceria com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e Fundação Ford. “O guia trás para o centro dos debates de forma crítica os processo de invisibilidade das populações negras, questionando a falsa ideia de democracia racial e a normalização do racismo e intolerância religiosa como prática social cotidiana”, disse ao Por dentro da África o Babalawô Ivanir dos Santo, que preside o CEAP. Para ele, o documento simboliza um momento muito importante para estudar e refletir sobre os dois temas. Baixe aqui a 2ª edição do GUIA. Fonte: Por Dentro da África.

Haiti: a magia ancestral vodu e a Revolução

Por Carlos Machado - Bois Caïman (crioulo haitiano: Bwa Kayiman) é o local da cerimônia de Vodu haitiano, durante a qual a primeira grande insurreição de trabalhadores forçados da Revolução Haitiana foi planejada. Na noite de 14 de agosto de 1791, cativos representantes de plantações próximas se reuniram para participar de uma cerimônia secreta realizada nas florestas perto de Le Cap, na então colônia francesa de São Domingos. Presidido por Dutty Boukman, um proeminente líder de seres humanos escravizados e sacerdote de Vodu, a cerimônia serviu tanto como ritual religioso quanto como reunião estratégica quando os conspiradores se encontraram e planejaram uma revolta contra os colonos brancos da rica Planície do Norte da colônia. Enevoados em mistério, muitos relatos da cerimônia catalítica e seus detalhes particulares variaram desde que foi documentada pela primeira vez na “História da Revolução de Saint-Domingue” de Antoine Dalmas em 1814. A cerimônia é considerada o início oficial da Revolução Haitiana que fez 215 anos em 2019. Leia o artigo na íntegra. Fonte: Mundo Negro.

EXPEDIENTE

MÍDIA NEGRA E FEMINISTA
Boletim Eletrônico Nacional
Periodicidade: Mensal

EDITOR
Valdisio Fernandes

EQUIPE
Allan Oliveira, Aderaldo Gil, Aline Alsan, Atillas Lopes, Ciro Fernandes, Enoque Matos, Eva Bahia, Guilherme Silva, Graça Terra Nova, Kenia Silva, Keu Souza, Josy Andrade, Josy Azeviche, Lúcia Vasconcelos, Luciene Lacerda, Lucinea Gomes de Jesus, Luiz Felipe de Carvalho, Luiz Fernandes de Oliveira, Marcele do Valle, Marcos Mendes, Mariana Reis, Ricardo Oliveira, Ronaldo Oliveira, Mônica Lins, Silvanei Oliveira.

COLABORADORES
Jonaire Mendonça e Erica Larusa.

CONTATO
buzios@institutobuzios.org.br
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